Os preços do petróleo abriram em alta no domingo, com as duas principais referências internacionais a ultrapassarem os 110 dólares por barril, num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente.
Por volta das 22:45 (hora de Lisboa), o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, para entrega em maio, subia 2,89%, fixando-se nos 114,76 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte, referência europeia, com vencimento em junho, avançava 2,04%, para 111,26 dólares.
Minutos após o início das negociações, o WTI chegou mesmo a atingir os 115,48 dólares, aproximando-se do pico de 119,48 dólares registado desde o início da ofensiva liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
A evolução dos preços está diretamente ligada ao agravamento do conflito regional, que tem perturbado significativamente os fluxos globais de energia. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás natural, encontra-se praticamente bloqueado desde o início das hostilidades, há mais de um mês.
As perturbações no fornecimento já provocaram aumentos acentuados nos preços dos combustíveis em vários países, além de episódios pontuais de escassez.
A escalada militar intensificou-se após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter emitido um ultimato ao Irão, exigindo a reabertura do estreito sob ameaça de novos ataques. Inicialmente fixado em 48 horas, o prazo foi posteriormente prolongado por mais 24 horas, terminando agora na terça-feira às 20:00 (hora de Washington), correspondente à 01:00 de quarta-feira em Lisboa.
O conflito em curso teve início a 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Teerão respondeu com ofensivas dirigidas a Israel e a países do Golfo que acolhem bases norte-americanas. Entre as vítimas dos ataques aéreos encontra-se o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
A entrada do Hezbollah, movimento islamista libanês, no conflito a 2 de março, agravou ainda mais a situação. Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e uma ofensiva terrestre no sul do país.
O número de vítimas mortais já ascende a milhares, sobretudo no Irão e no Líbano, num dos conflitos mais graves da região nas últimas décadas.
Entretanto, a retórica de Washington tem-se intensificado. Nos últimos dias, Donald Trump voltou a ameaçar transformar o Irão num “inferno” e declarou que poderá atingir infraestruturas críticas, como centrais elétricas e pontes. Numa mensagem publicada na rede social Truth Social, afirmou: “Abram o estreito ou vão viver no inferno”.
Os mercados permanecem atentos ao desenrolar dos acontecimentos, com analistas a alertarem para a possibilidade de novas subidas dos preços do petróleo caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue ou o conflito se intensifique ainda mais.



