O projeto de alargamento e reengenharia do aterro sanitário da Braval, localizado na Póvoa de Lanhoso, encontra-se em consulta pública até 12 de maio, prevendo o reforço da capacidade de deposição de resíduos e a extensão da vida útil da infraestrutura.
A intervenção abrange áreas das freguesias de Ferreiros e Lanhoso, no concelho da Póvoa de Lanhoso, e de Pedralva, no concelho de Braga, e contempla a construção de uma nova célula de aterro, além da reengenharia das duas já existentes.
De acordo com o estudo de impacte ambiental (EIA), a reconfiguração das células atuais permitirá aumentar em cerca de 525 mil metros cúbicos a capacidade de deposição, enquanto a nova célula, a implantar numa área de aproximadamente seis hectares a sul do atual aterro, acrescentará mais 820 mil metros cúbicos.
No total, o projeto poderá prolongar a vida útil do aterro por cerca de oito anos, para além dos dois anos adicionais assegurados pela reengenharia em curso.
A Braval é responsável pelo sistema multimunicipal de gestão de resíduos do Baixo Cávado, servindo os municípios de Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde, abrangendo cerca de 300 mil habitantes e um volume anual estimado de 150 mil toneladas de resíduos urbanos.
O EIA aponta, contudo, alguns impactos ambientais negativos, nomeadamente ao nível do rebaixamento do lençol freático, da intrusão visual na paisagem e da gestão de solos e rochas sobrantes. O documento refere ainda que a área de implantação apresenta já um elevado grau de perturbação ambiental, mas destaca a proximidade da Ribeira de Reamondes, onde subsistem espécies de fauna e flora.
Entre as principais preocupações associadas à exploração do aterro, o estudo menciona também as queixas relacionadas com odores, frequentemente apontadas pelas populações.
Apesar destes fatores, o relatório conclui que o projeto reúne condições para avançar, estando já reconhecido como de interesse público estratégico desde 2023, incluindo a afetação de áreas da Reserva Ecológica Nacional.
A consulta pública permite agora a participação dos cidadãos e entidades interessadas, antes de uma decisão final sobre a implementação do projeto.



