O suspeito de arremessar um engenho incendiário (“cocktail molotov”) contra manifestantes que protestavam contra o aborto na Marcha pela Vida, no passado dia 21 de março, vai ficar em prisão preventiva.
O suspeito, de 39 anos, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), esta quarta-feira, indiciado pela tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave.
Militante do Partido Socialista (PS), o homem já tinha sido detido pela PSP, por posse de arma proibida, no dia da manifestação contra o aborto, que decorreu a 21 de março, com final na Assembleia da República, em Lisboa, tendo na altura sido libertado pelo tribunal, obrigado a apresentar-se diariamente na esquadra.
A investigação transitou posteriormente para a PJ, que, após “dezenas de diligências para obter meios de prova”, executou na quarta-feira o mandado de detenção e outro de busca e apreensão, no âmbito do qual foram apreendidos “diversos elementos denunciadores de um móbil ideológico”.
Um “cocktail molotov” é um engenho incendiário artesanal fabricado com uma garrafa de vidro, líquidos inflamáveis e um pano embebido no mesmo combustível.
O homem não participava no protesto e terá atirado um “cocktail molotov” com gasolina na direção dos manifestantes, referiu na altura, numa nota, a PSP.
O engenho incendiário não deflagrou, mas gerou “um clima de alarme e perturbação no local”, tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável.
No momento do arremesso, participavam na Marcha Pela Vida cerca de 500 pessoas, incluindo crianças.
O homem foi suspenso preventivamente pelo PS, anunciou na quarta-feira o partido, acrescentando que, “a confirmarem-se os factos poderá ser aplicada a expulsão” ao militante socialista.
“O PS não pactua com nenhum tipo de violência e considera absolutamente intolerável qualquer ato que possa consubstanciar um comportamento desse tipo”, concluiu o partido.



