As equipas de Dermatologia do Hospital de Santa Maria terão de devolver mais de 800 mil euros recebidos indevidamente por cirurgias realizadas em regime de produção adicional, segundo conclusões da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
De acordo com uma nota informativa da entidade, a inspeção incidiu sobre uma amostra de 511 episódios cirúrgicos, que corresponderam a um total de 901.851,11 euros pagos. Deste montante, 818.756,11 euros foram considerados indevidos.
A IGAS determinou que os valores terão de ser devolvidos por todos os elementos das equipas que beneficiaram dos pagamentos, relativos a intervenções realizadas fora do horário normal de trabalho.
O regime de produção adicional permite a realização de cirurgias fora do período regular com o objetivo de reduzir listas de espera, mas está sujeito a regras específicas de elegibilidade e financiamento, cuja violação esteve na base das irregularidades identificadas.
O relatório da inspeção conclui que uma parte significativa dos atos analisados não cumpria os critérios estabelecidos, originando pagamentos indevidos que agora terão de ser restituídos ao sistema de saúde.
O caso levanta questões sobre os mecanismos de controlo e fiscalização no âmbito da atividade cirúrgica adicional, numa altura em que o sistema procura responder à pressão assistencial e à redução dos tempos de espera.



