O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, afirmou este sábado que os militantes que abandonaram o partido para integrar o Chega “nunca tiveram espaço por falta de qualidade”.
As declarações foram feitas durante a conferência internacional “Democracia em África”, realizada na cidade da Praia e promovida pelo Movimento pela Democracia.
“São sempre pessoas que não tiveram espaço, por falta de qualidade, nos partidos tradicionais. Nunca é de outra maneira”, afirmou o também líder parlamentar social-democrata, respondendo a questões sobre a origem e o crescimento de movimentos populistas.
Hugo Soares foi mais longe ao referir que não conhece “um dirigente ou militante do PSD” que tenha saído para o Chega e que desejasse que regressasse, apontando também falta de capacidade e, em alguns casos, de caráter.
Alerta para riscos do populismo
Na sua intervenção, o dirigente alertou para o que considera ser uma tendência perigosa na resposta política ao populismo, nomeadamente o aumento constante das exigências de transparência e escrutínio.
Segundo Hugo Soares, essa dinâmica pode conduzir à erosão do necessário equilíbrio entre governantes e governados, defendendo que deve existir distanciamento institucional sem que isso signifique falta de responsabilidade ou escrutínio.
Defesa da valorização da política
O secretário-geral do PSD abordou ainda a questão das remunerações dos políticos, defendendo que estes são “mal pagos” e que é necessário ter coragem para legislar no sentido de melhorar as condições, de forma a atrair quadros qualificados para a vida pública.
“O populismo combate-se governando bem e tendo coragem para seguir o nosso caminho, independentemente do que se diz”, concluiu.
A intervenção insere-se num debate mais amplo sobre o crescimento de movimentos populistas e os desafios que colocam às democracias contemporâneas.



