Os Estados Unidos deixaram um novo aviso aos aliados europeus sobre a segurança no Golfo Pérsico, reiterando a intenção de manter um bloqueio naval no Estreito de Ormuz “o tempo que for necessário”. A posição foi assumida pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, que criticou duramente a resposta europeia à crise na região.
Em conferência de imprensa no Pentágono, Hegseth classificou como “absurda” uma recente cimeira europeia dedicada ao tema, acusando países como Reino Unido e França de falta ações concretas.
“Não vi esforços sérios para avançar com uma missão naval. Limitaram-se a discutir possibilidades futuras”, afirmou o responsável, referindo-se à proposta franco-britânica de criação de uma força de escolta para navios comerciais no Golfo Pérsico.
Apesar das críticas, Washington afirmou estar disponível para apoiar uma eventual iniciativa europeia, sublinhando que o Estreito de Ormuz é estrategicamente mais relevante para a Europa, devido à sua dependência energética. Ainda assim, Hegseth alertou que a ausência de capacidade autónoma deixa os aliados “à mercê” de países como o Irão.
O governante norte-americano foi mais longe, defendendo que a atual crise expõe fragilidades estruturais na defesa europeia e acusando parceiros internacionais de beneficiarem durante anos da proteção dos EUA sem contributos proporcionais.
Bloqueio ao Irão mantém-se
As declarações surgem numa altura em que os EUA reforçam a pressão sobre Teerão. Hegseth garantiu que o bloqueio naval continuará, enquadrando-o numa nova fase da estratégia norte-americana no Médio Oriente.
“Temos todo o tempo do mundo. Não estamos ansiosos por um acordo”, afirmou, acrescentando que o Irão “tem uma oportunidade para chegar a um entendimento sensato”, mas que o tempo joga contra o regime iraniano.
O secretário da Defesa reiterou ainda que os EUA não permitirão que o Irão desenvolva armas nucleares, classificando o bloqueio como uma medida legítima e necessária.
Divergências com aliados e críticas internacionais
A posição norte-americana surge também em contraste com a iniciativa anunciada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que defendem uma missão naval “neutra” para garantir a segurança do tráfego marítimo.
Hegseth rejeitou ainda críticas internacionais, incluindo as do Papa Leão XIV, assegurando que os Estados Unidos estão confiantes na legalidade e na justificação da sua atuação.
“Estamos plenamente confiantes no que estamos a fazer e nas razões que sustentam esta missão”, concluiu.
O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial, continua a ser um dos pontos mais sensíveis da geopolítica global, com qualquer escalada a ter potencial impacto nos mercados energéticos e na segurança internacional.



