O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, foi obrigado pelo Banco Central Europeu a desfazer-se de ações da Galp e da Jerónimo Martins adquiridas já depois de assumir funções.
Segundo avançou o jornal Público, as transações foram realizadas em dezembro de 2025, cerca de dois meses após a tomada de posse do economista como governador, ocorrida a 6 de outubro.
O caso foi identificado pelo Banco Central Europeu no âmbito da análise das declarações de interesses que todos os governadores da zona euro são obrigados a submeter no início de cada ano. A regulamentação em vigor proíbe a aquisição de ações de empresas privadas por parte de altos responsáveis da banca central, com o objetivo de evitar potenciais conflitos de interesse.
De acordo com a informação divulgada, Álvaro Santos Pereira adquiriu inicialmente ações da Galp a 17 de dezembro, numa altura em que a empresa atravessava uma fase de desvalorização em bolsa. A 29 de dezembro, reforçou a posição na mesma empresa e adquiriu também títulos da Jerónimo Martins.
O Banco de Portugal confirmou as operações, referindo que os investimentos foram realizados em lotes individuais inferiores a 50 mil euros.
Perante a incompatibilidade detetada, o BCE determinou a reversão das transações, levando o governador a vender imediatamente as ações adquiridas.
O episódio levanta questões sobre o cumprimento das regras de conduta aplicáveis aos responsáveis das instituições financeiras europeias, embora não tenham sido divulgadas quaisquer sanções adicionais até ao momento.



