O presidente da Câmara de Viana do Castelo afirmou esta terça-feira que a ausência de empresas de trotinetes na cidade não é “por acaso”, justificando a opção com “muitas dúvidas” quanto à compatibilização destes veículos com o espaço público partilhado entre peões e outros utilizadores.
“Não é por acaso que não temos empresas com esse serviço instalado na nossa cidade. Não é inocente. Estive 12 anos com o pelouro da mobilidade. Não foi por falta de oportunidade que não instalámos esse serviço. Sempre tive muitas dúvidas sobre a compatibilização desse serviço com o espaço partilhado”, afirmou Luís Nobre, no final da reunião do executivo municipal.
O autarca socialista sublinhou que, no concelho, os principais problemas identificados estão associados às trotinetes de uso privado, referindo comportamentos considerados inadequados por parte dos utilizadores.
“Os problemas que identificamos são com trotinetes de particulares, devido ao comportamento individual de quem as utiliza”, acrescentou.
A questão foi levantada por um munícipe durante o período de intervenção do público, que alertou para situações de circulação de trotinetes a elevada velocidade em ruas do centro histórico, onde existe grande fluxo pedonal.
Aumento de sinistralidade e necessidade de regulação
Luís Nobre alertou para a experiência de outras cidades que optaram por permitir a instalação de redes de trotinetes partilhadas, referindo que algumas enfrentam atualmente dificuldades acrescidas na gestão do espaço urbano.
“A conflitualidade aumentou e o risco também. O número de acidentes tem aumentado porque não se regulou. As trotinetes chegaram, foram inovadoras, ajudaram a dinamizar os modos suaves nas cidades, mas hoje transformaram-se num problema”, afirmou.
O presidente da Câmara acrescentou que alguns municípios estão já a suspender procedimentos de expansão destes serviços, face às preocupações com a segurança.
Estratégia passa por fiscalização e redução de velocidade
Luís Nobre defendeu uma abordagem integrada à mobilidade urbana, no âmbito do Plano de Mobilidade Sustentada, recentemente apresentado, que deverá incluir medidas de sensibilização, fiscalização e reorganização do espaço público.
Entre as soluções em análise estão a imposição de limites de velocidade de 30 km/h em zonas partilhadas e o reforço da fiscalização, num contexto em que o município pretende avançar com a criação de polícia municipal.
“Estamos a trabalhar na criação da polícia municipal. Há toda uma estratégia com várias peças para fechar este puzzle de gestão da cidade”, referiu.
O autarca salientou ainda a necessidade de equilíbrio entre diferentes modos de mobilidade.
“A trotinete tem de respeitar o peão, o peão tem de respeitar a trotinete e vice-versa”, afirmou.
Debate nacional sobre segurança rodoviária
A utilização de trotinetes elétricas tem estado no centro do debate em várias cidades portuguesas, incluindo Porto e Vila Nova de Gaia, onde recentemente foram tomadas medidas de estudo e reavaliação do modelo de exploração destes veículos, na sequência de preocupações com a segurança rodoviária e acidentes registados.
Também a associação Estrada Viva tem defendido que o foco sobre trotinetes não deve desviar a atenção do papel dominante do automóvel na sinistralidade urbana, sublinhando a necessidade de uma abordagem global à segurança rodoviária.



