O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou esta quarta-feira “inaceitável” que, em países como Portugal, os jovens tenham de destinar a totalidade do salário durante décadas para conseguir adquirir habitação.
Num discurso proferido no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas, o antigo primeiro-ministro português afirmou que não é admissível que “em alguns países da União Europeia, designadamente aquele que eu conheço melhor, jovens adultos tenham de pagar 100% dos seus salários, durante 20, 30 anos ou mais, para conseguir comprar uma casa”.
António Costa sublinhou que o custo da habitação está no centro do descontentamento crescente dos cidadãos com as instituições democráticas, defendendo que o acesso a habitação acessível é essencial para a coesão social e a justiça económica na União Europeia.
“Os nossos jovens são o futuro da Europa e a Europa deve dar-lhes a garantia de que terão um futuro melhor”, afirmou.
O discurso do presidente do Conselho Europeu foi também centrado no contexto internacional atual, que classificou como mais “hostil e incerto”, destacando a guerra na Ucrânia, tensões comerciais com os Estados Unidos, a afirmação económica da China e o conflito no Médio Oriente.
António Costa alertou para o impacto destas dinâmicas na economia europeia, referindo que a fragmentação do sistema comercial global tem aumentado os custos, sobretudo na energia e na eletricidade.
Perante este cenário, defendeu que a União Europeia deve avançar com “ações decisivas” para reforçar a sua autonomia estratégica, de forma a preservar o modelo social europeu e garantir melhores oportunidades para os cidadãos.
Entre as prioridades apontadas, destacou a competitividade económica, a soberania energética e de defesa e o reforço das relações comerciais internacionais.
Na área da competitividade, defendeu medidas como a simplificação de regras empresariais, o reconhecimento mútuo de qualificações e a redução da burocracia.
Já no domínio da soberania, sublinhou a importância de reforçar as capacidades de defesa europeias e de garantir maior controlo energético, incluindo o processo de descarbonização da economia.
António Costa destacou ainda os recentes avanços da União Europeia em matéria de acordos comerciais, nomeadamente com a Índia e o Mercosul, que, segundo referiu, criam um espaço económico com cerca de três mil milhões de pessoas.
Esses acordos, acrescentou, reforçam o papel da UE como “âncora” no sistema económico global e permitem influenciar uma nova ordem internacional baseada em regras.



