O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, assegurou que Portugal não apoia nem está envolvido no atual conflito no Irão, dois meses após a escalada de tensões no Médio Oriente. Em entrevista televisiva, o governante sublinhou que “a posição do Governo foi clara desde o início”, reiterando que o país “não subscreve nem participa” na guerra.
Apesar do distanciamento, Rangel reconheceu que o regime iraniano representa uma ameaça, apontando para a reação inicial de Teerão ao conflito, que incluiu ataques a países vizinhos. “Isto mostra a ameaça que representa o regime do Irão”, afirmou, acusando as autoridades iranianas de tentarem alargar a crise a uma dimensão regional mais ampla.
Sem classificar explicitamente o conflito como legítimo ou ilegítimo, o ministro considerou tratar-se de uma situação “complexa” à luz dos valores internacionais, defendendo, no entanto, a necessidade de um cessar-fogo duradouro que permita avançar para negociações de paz entre as partes.
Rangel destacou ainda a importância estratégica da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, sublinhando que a sua normalização é essencial para a estabilidade global. O governante revelou que Portugal tem mantido contactos diplomáticos intensos, incluindo com autoridades da Turquia no Paquistão, mostrando-se “expectante” quanto à possibilidade de um acordo.
Sobre a relação com os Estados Unidos, não excluiu que o apoio português possa não ser incondicional. Ainda assim, desvalorizou o papel estratégico atual da Base das Lajes, classificando como “ínfima” e “pouco relevante” a utilização da infraestrutura pelas forças norte-americanas.
Greve geral e pacote laboral
No plano interno, o ministro abordou a possibilidade de uma nova greve geral, considerando que este instrumento está a ser “banalizado”. Segundo Rangel, paralisações recentes não tiveram o impacto anunciado e não deverão influenciar o pacote laboral em preparação pelo Governo.
Defendendo a necessidade de reformas estruturais, afirmou que “a proteção dos trabalhadores passa por um quadro mais flexível”, garantindo que o executivo não pretende prejudicar os trabalhadores. Apesar de reconhecer a legitimidade do direito à greve, alertou que este “não pode ser utilizado de qualquer maneira”.
O ministro reiterou que o Governo encara o pacote laboral com “grande seriedade”, sublinhando que as políticas em curso visam o médio prazo. “Não estamos a governar para amanhã, mas para os próximos anos”, concluiu.



