O Governo aprovou um pacote de apoios no valor global de 80 milhões de euros destinado ao setor agrícola, fortemente afetado pelo aumento dos custos de produção e pelos recentes fenómenos meteorológicos adversos. As medidas foram anunciadas esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, após a reunião do Conselho de Ministros.
Do montante total, 20 milhões de euros destinam-se a compensar os sistemas produtivos mais expostos à subida dos custos com fertilizantes e energia, agravados pelo contexto internacional, nomeadamente pela instabilidade associada ao conflito no Médio Oriente. Já os restantes 60 milhões serão aplicados na reabilitação de infraestruturas hidroagrícolas danificadas por condições meteorológicas extremas registadas no início do ano.
Durante a conferência de imprensa, o chefe do Governo sublinhou que a agricultura representa “um setor estratégico da economia”, destacando o seu papel na segurança alimentar e na valorização dos recursos naturais nacionais.
No mesmo âmbito, foi anunciada a criação de uma nova estrutura autónoma responsável pela gestão do programa “Água que Une”, iniciativa focada na gestão eficiente dos recursos hídricos. A liderança ficará a cargo de Macário Correia, cuja nomeação foi justificada pelo primeiro-ministro com a sua experiência e capacidade executiva.
Além dos apoios diretos ao setor agrícola, o Conselho de Ministros aprovou também o prolongamento das moratórias de crédito por mais 12 meses, abrangendo empresas, instituições sociais e famílias. A medida estende o período de suspensão de pagamento de capital e juros até ao final de abril de 2027, reforçando o apoio financeiro num contexto de indefinição económica.
O conjunto de decisões surge na sequência dos impactos provocados por tempestades que atingiram o país no início do ano e pela pressão inflacionista sobre os custos de produção agrícola, refletindo uma estratégia governamental centrada no reforço da resiliência do setor primário.



