As contas da Câmara de Vila Verde referentes ao ano de 2025 foram aprovadas por maioria pela Assembleia Municipal, numa sessão que acabou já depois das duas da manhã desta sexta-feira.
Para a presidente do município, Júlia Fernandes, o documento revela uma “gestão rigorosa, responsável, orientada para resultados e assente em princípios de equilíbrio orçamental, sustentabilidade financeira e interesse público”, com o “foco nas pessoas, nas famílias e nas empresas”.
A autarca disse que o investimento aumentou em sete milhões comparativamente com o ano anterior e a dívida baixou, o que demonstra “saúde financeira”.
Os argumentos foram, no entanto, rebatidos pela oposição, desde logo por Andreia Leitão, da Iniciativa Liberal, para quem houve “dinheiro que ficou por gastar”, daí o saldo de gerência de 28 milhões de euros que transita para este ano.
“É uma escolha política acumular enquanto o investimento falha”, analisou a única representante liberal, que se absteve na votação.
Para o PS, o documento mostra, à primeira vista, uma “narrativa de sucesso” que não é real, sendo antes uma ideia “enganosa e distorcida”. “A solidez financeira não se traduz a mesma eficácia ao nível da execução, pelo contrário”, criticou Jorge Gonçalves. Para o eleito socialista, “um município não existe para acumular saldo”.
“A Câmara de Vila Verde fica rica em ouro e pobre em sonhos transformados em realidade”, apontou, destacando a “falta de investimento” na habitação, área em que “foram apenas executados 12 mil dos 500 mil euros previstos”. “Não podemos validar este caminho, o voto só pode ser contra”, vincou Jorge Gonçalves.
Já a líder da bancada do Chega, Elisabete Rodrigues, disse que “teria vergonha de apresentar estas contas como se o município fosse um banco a acumular dinheiro” e de “falar em boa gestão quando o centro de saúde está degradado”, deixando uma pergunta: “De que serve ter cofres cheios se depois falta aquilo que faz as pessoas avançar?”. No entanto, apesar das críticas, o Chega absteve-se.
Do lado do PSD, Susana Silva disse que os números “mostram contas sólidas” e salientou o facto de a oposição “reconhecer o equilíbrio financeiro”, sublinhando que os “tempos atuais requerem prudência e rigor”. “Ter saldo positivo não significa falta de investimento”, enfatizou.
Para Susana Silva, a “folga financeira resulta da boa gestão feita ao longo dos anos”, o que dá ao município “capacidade para executar investimentos não financiados e assegurar a sua parte em investimentos cofinanciados”.
O documento acabou aprovado por maioria, com 47 votos a favor, oito contra e oito abstenções.



