Mais de dois mil cidadãos subscreveram um abaixo-assinado a exigir obras urgentes de requalificação na Central de Camionagem de Vila Verde, denunciando o avançado estado de degradação da infraestrutura e a ausência de um plano concreto por parte da autarquia.
O documento, com 2040 assinaturas, foi apresentado formalmente na Assembleia Municipal, onde trabalhadores e utentes alertaram para as condições “inaceitáveis” em que se encontra o equipamento, agravadas após o incêndio ocorrido em março de 2025. Segundo os subscritores, a central não reúne atualmente “condições mínimas de segurança, conforto e dignidade”.
Na intervenção perante o plenário, Filipe Azevedo, motorista com quase três décadas de profissão no concelho, afirmou que a situação resulta de “anos de abandono e falta de investimento”, considerando que o incêndio apenas veio expor e agravar problemas estruturais já existentes.
Entre as principais falhas apontadas estão deficiências graves ao nível da segurança elétrica, infiltrações, falta de iluminação, zonas de acesso sem vedação, equipamentos de combate a incêndio degradados e condições precárias nas instalações sanitárias e áreas de apoio aos motoristas. Foi ainda referido o colapso parcial de um teto no início de abril, episódio que, segundo os denunciantes, confirmou riscos há muito identificados.
Os subscritores criticam também o encerramento da central aos fins de semana e feriados, situação que impede o acesso a serviços básicos, como casas de banho, por parte de passageiros e profissionais do setor.
O abaixo-assinado exige três medidas principais: a apresentação e execução de um plano de requalificação integral, com prazos definidos; a criação de soluções provisórias que garantam condições imediatas de segurança; e a reabertura da infraestrutura durante todo o ano, incluindo fins de semana e feriados.
A central, inaugurada em 2001, durante o mandato do então presidente da câmara José Manuel Fernandes, é considerada uma infraestrutura essencial para a mobilidade no concelho, sendo utilizada diariamente por centenas de pessoas.
Dirigindo-se ao executivo liderado por Júlia Fernandes, os promotores da iniciativa questionaram a ausência de intervenção e apelaram a uma resposta urgente, sublinhando que está em causa não apenas a funcionalidade do equipamento, mas também a segurança pública e a imagem do concelho.
Até ao momento, não é conhecido qualquer calendário oficial para a requalificação total da Central de Camionagem, mantendo-se a contestação por parte de trabalhadores e população local.
CÂMARA LEMBRA PROVIDÊNCIA CAUTELAR E REAFIRMA ESTAR “IMPEDIDA” DE INTERVIR
Perante as críticas, a Câmara Municipal de Vila Verde tem reiterado que está impedida de intervir na zona diretamente afetada pelo incêndio devido a uma ação judicial interposta pela proprietária da loja onde terão tido origem as chamas. Segundo a autarquia, a providência cautelar em curso impede intervenções até à conclusão das peritagens.
O município garante, contudo, que a área afetada se encontra vedada e que foram asseguradas condições de segurança nas restantes zonas da central, acrescentando que o espaço continua a ser monitorizado pelos serviços municipais.
A autarquia reafirma ainda a intenção de avançar com obras de requalificação assim que o enquadramento jurídico o permita, mas episódios recentes continuam a alimentar preocupações quanto à segurança e às condições da infraestrutura.







