Uma criança cega de seis anos terá sido vítima de agressões por parte de vários colegas na Escola Básica da Azeda, num incidente ocorrido na passada quinta-feira durante a hora de almoço, em Setúbal.
A denúncia foi tornada pública pela SerEspecial – Associação de Apoio a Famílias de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais, entidade que acompanha o menor, descrevendo uma situação de violência envolvendo várias crianças do pré-escolar.
Segundo a associação, o episódio terá começado com agressões físicas — murros e pontapés — desferidas por um colega “sem motivo aparente”. A criança terá caído ao chão, ficando impossibilitada de se levantar, momento em que terá sido rodeada por outros seis alunos, com idades entre os cinco e os sete anos, que continuaram as agressões durante vários minutos.
De acordo com a mesma fonte, o menor pediu ajuda repetidamente, sem que tenha havido intervenção imediata de adultos. A situação só terá sido interrompida quando uma auxiliar de ação educativa se apercebeu do ajuntamento de crianças e interveio.
A associação refere ainda que dois colegas terão tentado auxiliar a vítima durante o incidente.
Os encarregados de educação dos alegados agressores terão sido contactados pouco depois do ocorrido. Já os pais da criança agredida terão tido conhecimento da situação apenas mais tarde, através de terceiros, quando se dirigiam à escola para a recolher, cerca das 16h00.
Segundo a SerEspecial, este não terá sido o primeiro episódio de agressões envolvendo a mesma criança, embora nunca com esta gravidade. A associação acrescenta que os alegados agressores terão evitado falar durante o ataque, sabendo que a vítima identifica as pessoas sobretudo pela voz.
Apesar de não apresentar ferimentos físicos considerados graves, a criança encontra-se emocionalmente abalada e manifesta recusa em regressar à escola.
A associação indica que o caso já foi comunicado às entidades competentes, que terão assumido o compromisso de averiguar a situação e adotar as medidas consideradas adequadas.



