A Aliança Democrática apresentou uma proposta para reforçar o recrutamento nas Forças Armadas Portuguesas, através da criação de um novo programa de voluntariado jovem denominado “Defender Portugal”. A iniciativa prevê uma compensação de 439 euros e a possibilidade de obtenção gratuita da carta de condução.
De acordo com a proposta, o programa destina-se a jovens entre os 18 e os 23 anos e terá uma duração entre três a seis semanas. Durante esse período, os participantes terão acesso a formação teórica e prática de natureza militar, combinada com ações de serviço cívico junto das comunidades.
A medida surge num contexto em que o número de militares no ativo ronda os 24.500, levando o Governo a procurar soluções para aumentar a atratividade da carreira militar. A proposta segue uma tendência já observada em países da NATO, onde têm sido implementados modelos mais flexíveis e incentivos ao recrutamento.
Além da compensação financeira de 439,21 euros no final do programa, os jovens poderão obter a carta de condução gratuitamente em estabelecimentos militares habilitados. A participação poderá ainda valorizar o currículo, nomeadamente em concursos públicos ligados às forças de segurança ou à carreira militar.
O programa inclui formação em áreas como liderança, disciplina e autonomia, procurando também reforçar a ligação entre os jovens e a instituição militar. Durante a experiência, os voluntários acompanharão militares em missões de apoio às populações, sublinhando o papel cívico das Forças Armadas.
A proposta contempla ainda o reforço do ensino da Defesa Nacional nas escolas, em articulação com o Instituto da Defesa Nacional, integrando conteúdos na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.
Paralelamente, a AD apresentou a iniciativa “Mente forte”, focada na promoção da saúde mental no seio das Forças Armadas. O objetivo passa por uniformizar o acesso a cuidados psicológicos entre os diferentes ramos e criar um plano nacional alinhado com as orientações da NATO, incluindo a publicação de relatórios anuais de avaliação.
O tema do recrutamento militar tem vindo a ganhar destaque no debate político. O Partido Socialista já defendeu programas semelhantes de voluntariado de curta duração, enquanto o Chega propôs o alargamento do Dia da Defesa Nacional e o regresso das inspeções militares.
As diferentes propostas indicam uma crescente preocupação transversal com a capacidade de recrutamento das Forças Armadas e com a necessidade de reforçar a ligação dos jovens ao serviço militar em Portugal.



