A concentração de riqueza em Portugal tem vindo a aumentar de forma significativa, com os 10% mais ricos a controlarem cerca de 60,2% do património nacional, segundo uma análise da Comissão Europeia.
O relatório indica que Portugal está entre os países da União Europeia onde esta concentração mais cresceu nas últimas duas décadas, num contexto em que a acumulação de riqueza no topo da distribuição não tem sido acompanhada por uma repartição equivalente entre os restantes escalões de rendimento.
De acordo com o estudo, a tendência não se limita a Portugal, sendo também observada em vários países do Sul da Europa e da Europa Central e de Leste. Em contraste, algumas economias da Europa do Norte e Ocidental registam estabilidade ou até redução da concentração de riqueza.
Bruxelas defende que existe margem para reforçar a tributação sobre grandes patrimónios e “ultra-ricos”, sublinhando que o crescimento da riqueza não tem sido distribuído de forma equitativa, o que agrava as desigualdades sociais.
O debate inclui ainda a questão das heranças, com a Comissão Europeia a apontar a ausência de imposto sucessório em Portugal como um fator que pode contribuir para a concentração de riqueza. Segundo a análise, as grandes heranças assumem já um peso próximo ao da criação de riqueza através do trabalho.
O estudo, citado pelo Jornal de Negócios, refere também que o sistema fiscal tem tido impacto redistributivo, com o IRS a reduzir a fatia de rendimento dos 10% mais ricos e a aumentar a dos 40% mais pobres, ainda que as diferenças estruturais persistam.
A discussão sobre a tributação da riqueza continua a dividir posições no espaço político e económico europeu, sendo frequentemente enquadrada no debate sobre justiça fiscal e crescimento económico.



