O preço do cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais voltou a subir e atingiu um novo máximo histórico, fixando-se nos 261,89 euros esta semana, segundo dados da DECO PROteste.
Depois de uma ligeira descida na semana anterior, o cabaz registou um aumento de 3,37 euros, consolidando uma tendência de subida que se tem vindo a acentuar desde o início do ano. Em 2026, comprar exatamente o mesmo conjunto de produtos tornou-se já 20,06 euros mais caro, o que representa um acréscimo de 8,30%.
A comparação com períodos anteriores evidencia uma escalada mais ampla: há um ano, o cabaz custava menos 22,94 euros, enquanto face a janeiro de 2022 — quando começou a monitorização — a diferença é de mais 74,19 euros, equivalente a um aumento de 39,52%.
Entre os produtos que mais encareceram na última semana destacam-se o atum em posta em óleo vegetal (+20%), a massa esparguete (+15%) e o queijo curado fatiado (+14%). Já numa análise anual, sobressaem aumentos expressivos na couve-coração (+44%), no robalo (+34%) e nos brócolos (+31%).
A evolução dos preços é influenciada por vários fatores, incluindo o contexto internacional. O prolongamento de tensões no Médio Oriente tem contribuído para o aumento dos custos da energia e dos combustíveis, com impacto nas cadeias de abastecimento. A importância estratégica do Estreito de Ormuz, por onde transitam matérias-primas essenciais, nomeadamente fertilizantes, é apontada como um dos elementos de pressão sobre os preços.
A nível interno, fatores como os prejuízos causados por tempestades recentes e o aumento dos custos de produção agrícola também contribuem para a subida dos preços ao consumidor.
Desde 2022, o acompanhamento regular do cabaz pela DECO PROteste tem evidenciado uma tendência de aumento sustentado, inicialmente impulsionada por choques externos como a guerra na Ucrânia e os efeitos da pandemia de COVID-19.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, após alguma desaceleração em 2025, a inflação voltou a acelerar em março de 2026, atingindo 2,7%, refletindo o impacto continuado da subida dos preços no consumo das famílias.
Perante este cenário, especialistas alertam que a pressão sobre o custo de vida poderá manter-se nos próximos meses, sobretudo se persistirem os fatores externos que condicionam a produção e distribuição de bens alimentares.



