O navio de cruzeiro MV Hondius, onde foi detetado um surto de hantavírus associado a três mortes e seis casos confirmados, entrou pouco depois das 05h30 deste domingo (hora local e de Lisboa) no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, para iniciar uma complexa operação de desembarque e repatriamento dos passageiros.
A entrada do navio foi acompanhada por uma lancha portuária e por um rebocador, responsáveis pelas manobras de aproximação e ancoragem. As autoridades optaram por manter o paquete fundeado, evitando a atracação direta ao cais, numa medida destinada a reduzir o risco de eventual contaminação em terra.
O desembarque deverá arrancar após o nascer do sol e será realizado sob um rigoroso protocolo sanitário. Os passageiros serão transferidos diretamente para o aeroporto de Tenerife Sul, localizado a cerca de 10 quilómetros do porto, através de um corredor logístico isolado e assegurado por veículos militares.
Os primeiros a abandonar o navio serão os 14 passageiros espanhóis, que seguirão num avião militar para Madrid, onde permanecerão em quarentena no Hospital Gómez Ulla. Posteriormente, os restantes passageiros serão desembarcados por nacionalidades e em grupos de cinco pessoas, sendo encaminhados diretamente para aeronaves preparadas para os repatriar aos respetivos países de origem.
Segundo a ministra espanhola da Saúde, Mónica García, a operação deverá prolongar-se durante todo o domingo e poderá estender-se até segunda-feira à tarde, devido à necessidade de aguardar pela chegada de voos internacionais, incluindo um destinado à Austrália.
A permanência prolongada do navio em Tenerife gerou tensão institucional entre Madrid e o Governo regional das Canárias. O presidente regional, Fernando Clavijo, contestou a duração da operação, alegando que o acordo inicial previa uma intervenção limitada a 12 horas, com conclusão ainda durante o domingo.
Perante a recusa inicial do Governo das Canárias e da Autoridade Portuária de Tenerife em autorizar a entrada do navio no porto de Granadilla, a Direção-Geral da Marinha Mercante espanhola emitiu uma resolução extraordinária determinando o acolhimento do cruzeiro.
O documento, assinado pela diretora-geral Ana Núñez Velasco, justificou a decisão com base num “risco combinado de segurança marítima” e na “necessidade de assistência médica a bordo”, em coordenação com vários organismos do Estado espanhol.
A resolução estabelece que o navio deve ser recebido através de ancoragem controlada ou de atracação direta, consoante a avaliação das autoridades sanitárias responsáveis pela operação.
Após o desembarque dos mais de 100 passageiros, deverão permanecer a bordo 43 membros da tripulação. Está previsto que o navio siga viagem na segunda-feira para os Países Baixos, país onde está registado o armador do MV Hondius.
A Organização Mundial da Saúde declarou no sábado que todas as pessoas presentes no cruzeiro devem ser consideradas “contactos de alto risco”, recomendando vigilância sanitária durante 42 dias. Ainda assim, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afastou comparações com a pandemia de covid-19, sublinhando que o “risco atual para a saúde pública permanece baixo”.
A operação de evacuação e repatriamento está a ser coordenada pelas autoridades espanholas, pelos Países Baixos, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).



