Elementos do coletivo Climáximo mancharam esta segunda-feira com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems. O coletivo promove uma manifestação esta sexta-feira, em frente à sede do Governo, em Lisboa.
A PSP de Oeiras já não encontrou nenhum ativista quando chegou ao edifício.
Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra “genocida” a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.
Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente “com a morte de milhares de pessoas” e de ser “parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo” que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.
“Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis”, considera o estudante, elemento deste movimento.
Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes “alvos de ataque, repressão e desumanização” e considera a empresa “um pilar” na expansão da extrema-direita internacional e no “progresso do imperalismo e de políticas bélicas, genocidas e fascistas”.
MANIFESTAÇÃO SEXTA-FEIRA
O coletivo, que luta pela “justiça climática”, denuncia a “fatia considerável” de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um ‘Serviço Nacional do Clima’, para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.
“Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água”, considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, esta sexta-feira, à concentração que promove ao final da tarde frente à sede do Governo.



