A câmara de Barcelos aprovou o projeto de execução para a requalificação da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, uma das principais artérias urbanas da cidade, num investimento global de 4,5 milhões de euros e com um prazo de execução estimado de 12 meses.
A intervenção, enquadrada no Quadro de Investimentos Prioritários do município, conta com cofinanciamento de cerca de 3,8 milhões de euros ao abrigo do programa NORTE 2030, no âmbito do aviso dedicado à reabilitação e regeneração urbanas.
O projeto agora aprovado, da autoria do arquiteto João Barreto de Faria, propõe uma requalificação de caráter conservador, com especial enfoque na preservação do património urbano existente, incluindo o separador central arborizado com tílias centenárias, a balaustrada sobre o Campo da Feira e a estrutura de boulevard concebida no início do século XX pelo arquiteto José Marques da Silva.
Segundo o executivo municipal liderado por Mário Constantino Lopes, a intervenção é considerada “estruturante na mobilidade e valorização urbana da cidade”, procurando simultaneamente modernizar a circulação e reforçar a identidade histórica da avenida.
Mobilidade, espaço público e valorização pedonal
Entre as principais alterações previstas, está a reorganização do tráfego automóvel, que passará a fazer-se em sentido único, bem como a redução da faixa de rodagem para 3,5 metros. Em contrapartida, o separador central será alargado para cerca de oito metros, permitindo a criação de zonas de permanência, bancos de jardim e circulação ciclável.
O projeto prevê ainda a reorganização do estacionamento lateral e a criação de zonas específicas para cargas e descargas, com o objetivo de melhorar a fluidez e segurança rodoviária.
No cruzamento com a Avenida D. Nuno Álvares Pereira, a opção técnica passa pela manutenção de um entroncamento simples, solução que, segundo o projeto, assegura eficiência de circulação sem necessidade de intervenção mais invasiva no espaço arbóreo existente.
Património, arborização e materiais tradicionais
A requalificação inclui também a plantação de novas árvores e o reforço de zonas de sombra em vários pontos da avenida e áreas adjacentes, nomeadamente no Largo dos Capuchinhos, junto à Igreja de Santo António, e nas imediações da Avenida Alcaides de Faria.
Está igualmente prevista a recuperação de materiais tradicionais, com reutilização de paralelepípedos na faixa de rodagem e utilização de granito “Vila Real” nos passeios, enquanto as passagens pedonais serão elevadas para melhorar a acessibilidade.
O projeto contempla ainda a reposição do monumento aos Combatentes da Grande Guerra no seu local original, junto à entrada da avenida, onde foi inaugurado em 1936.
Reabilitação com leitura histórica
Com a aprovação em reunião de Câmara, o processo segue agora para fase de execução da obra. O objetivo, segundo a autarquia, é recuperar a leitura original do desenho urbano idealizado no início do século XX, conciliando preservação patrimonial, sustentabilidade ambiental e melhoria das condições de mobilidade urbana.



