A Coindu vai colocar 493 trabalhadores em regime de lay-off na unidade de Vila Nova de Famalicão, numa medida que deverá vigorar durante seis meses, entre maio e novembro deste ano.
Em comunicado, a empresa de componentes têxteis para a indústria automóvel, sediada em Joane, justifica a decisão com “a conjuntura global e a redução de encomendas do setor automóvel”.
A medida abrangerá trabalhadores de diferentes áreas da empresa e será aplicada “de forma gradual e limitada”, incidindo sobretudo sobre colaboradores “sem ocupação efetiva ou afetados pelo setor em que trabalham”.
Atualmente, a Coindu emprega 752 trabalhadores na unidade famalicense.
A administração da empresa, detida pelo grupo italiano Mastrotto, refere que a decisão surge num contexto de pressão sobre a indústria automóvel internacional, agravada pelas tensões comerciais e geopolíticas.
Segundo a empresa, “a conjugação dos recentes eventos relacionados com as tarifas de importação nos principais mercados mundiais, como Estados Unidos e China, e os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente tem causado um impacto negativo na confiança do mercado”, afetando diretamente a atividade e faturação da Coindu.
A multinacional garante, contudo, que pretende “minimizar o impacto sobre os colaboradores” e afirma acreditar numa recuperação da atividade a partir de 2027, sustentada em projetos já assegurados.
A administração considera que este “ajustamento é necessário” para garantir a sustentabilidade financeira e a continuidade futura da empresa.
A decisão foi comunicada aos trabalhadores esta semana, no âmbito do processo de reestruturação que a empresa diz estar a desenvolver “em diálogo aberto e transparente” com colaboradores e restantes partes envolvidas.
Nos últimos anos, a Coindu tem enfrentado um período de forte reorganização. Em 2025, avançou já com dois despedimentos coletivos, também justificados pela redução de encomendas no setor automóvel.
Em 2024, a empresa vendeu a fábrica na Roménia e foi adquirida pelo grupo italiano Mastrotto. Pouco depois da aquisição, foi decidido o encerramento da unidade de Arcos de Valdevez, medida que deixou cerca de 360 trabalhadores no desemprego.



