O Centro de Artes e Cultura de Vila Verde recebeu, na noite de sexta-feira, a apresentação do livro “O Codesso, Escola, Imprensa e Comunidade”, da autoria do professor Joaquim Cerqueira, uma obra que recupera e preserva a memória da antiga Telescola de Codessal, em Duas Igrejas, e do jornal escolar “O Codesso”, considerado um importante registo da vida educativa e comunitária da região da Ribeira do Neiva.
A publicação reúne os 17 números do jornal escolar editado entre 1990 e 1998, agora reeditados “para memória futura”, num projeto que pretende valorizar o impacto social, educativo e cultural da antiga Telescola de Codessal na comunidade local.
A sessão contou com a presença de antigos alunos, professores e elementos da comunidade, num reencontro marcado pela partilha de testemunhos e pela evocação de memórias ligadas à escola e ao jornal.
A cerimónia foi presidida pela presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, tendo a abertura formal estado a cargo de Manuela Barreto Nunes, diretora da Biblioteca Municipal. A análise da obra foi conduzida pelo investigador Ernesto Português.
O momento cultural da sessão contou com a participação de artistas locais e encerrou com a atuação do grupo Amigos de S. Pedro do Gontinho.
Joaquim Cerqueira: “O Codesso foi uma voz da escola e da comunidade”
O mentor do projeto e coordenador da obra, o professor Joaquim Cerqueira, sublinhou a dimensão educativa, cultural e humana do projeto, destacando o jornal como espaço de identidade, memória e ligação entre gerações.
Na sua intervenção, o professor e autor Joaquim Cerqueira destacou a importância do jornal “O Codesso” como instrumento pedagógico e de ligação à comunidade, sublinhando que o projeto nasceu com o objetivo de dar voz aos alunos e aproximar a escola do meio envolvente.
“Antes de ser livro, o Codesso foi uma voz. A voz dos alunos, dos professores e de uma comunidade que encontrou na escola um espaço de encontro e de memória”, afirmou.
O autor recordou que o jornal surgiu no início da década de 1990, na Telescola de Codessal, tendo a primeira edição sido publicada a 21 de novembro de 1990, com uma forte aposta na criatividade, na escrita e na valorização das tradições locais.
Ao longo dos anos, explicou, o projeto foi evoluindo para um espaço de partilha de textos, entrevistas, relatos de atividades e recolha de memórias das aldeias da região.
“Sem talvez termos plena consciência disso na altura, estávamos também a preservar uma parte importante da memória da comunidade”, sublinhou.
Joaquim Cerqueira destacou ainda o papel da escola enquanto ponto de encontro de alunos de várias aldeias da zona alta de Duas Igrejas, considerando o jornal um elo entre a instituição e o território.
O professor referiu que o projeto, apesar dos meios simples, se destacou pela participação e pelo envolvimento da comunidade escolar, valorizando a criatividade dos alunos e o orgulho na publicação dos seus trabalhos.
“Ver o seu texto publicado era um momento especial. Era a prova de que as suas ideias tinham valor”, afirmou.
O autor explicou ainda que a decisão de transformar o jornal em livro resulta da necessidade de preservar a memória de uma experiência educativa e cultural que marcou várias gerações.
“Este livro é um documento de memória, mas também uma homenagem aos alunos, aos professores e à comunidade que sempre apoiaram a escola”, referiu.
Na parte final da intervenção, Joaquim Cerqueira alertou para a importância de preservar a memória das pequenas comunidades num tempo marcado pela rapidez da informação.
“As escolas não ensinam apenas conteúdos. Ajudam-nos a compreender de onde vimos e quem somos”, concluiu.
A obra “O Codesso, Escola, Imprensa e Comunidade” assume-se, assim, como um contributo relevante para a preservação da memória educativa e social da Ribeira do Neiva, reforçando o papel da escola enquanto espaço de identidade, cultura e ligação comunitária.



































