Está em preparação um projeto para criar um “Multibanco social” em freguesias mais isoladas do país, com o objetivo de facilitar o acesso a numerário e a operações financeiras básicas em regiões afetadas pelo encerramento de balcões bancários e pela redução da rede de caixas automáticas.
Segundo informações recolhidas pelo ECO, o projeto-piloto deverá arrancar até ao final do primeiro semestre deste ano e abranger cerca de duas dezenas de freguesias.
A iniciativa envolve a SIBS, que confirmou estar a trabalhar “em conjunto com diversas entidades públicas” numa solução destinada a alargar o acesso a numerário e a serviços financeiros quotidianos nas zonas identificadas pelo Banco de Portugal como mais distantes de pontos de acesso bancário.
De acordo com a SIBS, a solução será apresentada “de forma mais detalhada até final do primeiro semestre do ano”, em articulação com as entidades parceiras envolvidas no projeto.
A proposta prevê a instalação de caixas automáticas em juntas de freguesia localizadas em territórios com menor cobertura bancária. Numa primeira fase, os equipamentos deverão permitir levantamentos de numerário, embora a solução possa vir a incluir também pagamentos e transferências.
O mais recente estudo do Banco de Portugal sobre acesso a numerário indica que mais de 98% da população portuguesa dispõe de um caixa automático ou balcão bancário a menos de cinco quilómetros. No entanto, os dados revelam fortes desigualdades territoriais.
Segundo o mesmo levantamento, relativo a 2022, mais de 1.200 freguesias — cerca de 41% do total nacional — não dispõem de qualquer meio físico para levantamento de dinheiro. Em alguns casos, a população tem de percorrer até 17 quilómetros para aceder a uma caixa automática, situação que afeta sobretudo idosos e comunidades rurais mais isoladas.
O acesso a dinheiro físico tem sido uma das prioridades assumidas pelo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que já havia admitido publicamente que o banco central estava a estudar soluções para evitar o chamado “deserto de numerário”.
“Acima de tudo, o que queremos é que as pessoas tenham escolha”, afirmou Santos Pereira em março, defendendo que os cidadãos devem poder optar entre pagamentos digitais ou utilização de numerário.
O governador garantiu ainda que o Banco de Portugal “não quer deixar ninguém para trás”, assegurando intervenção caso se verifiquem dificuldades graves no acesso a dinheiro físico.
Entre as alternativas em análise está também o chamado sistema “cash-in-shop”, que permite levantar dinheiro diretamente em estabelecimentos comerciais, solução já implementada em vários países europeus.
A nova diretiva europeia de pagamentos deverá, aliás, facilitar o acesso a este tipo de serviços através do comércio local, criando condições mais favoráveis para o levantamento de numerário junto de comerciantes.



