Portugal continental enfrenta esta quarta-feira um agravamento das condições meteorológicas, com temperaturas que poderão atingir os 40 e 41 graus Celsius em várias regiões do país, num cenário marcado por calor extremo, instabilidade atmosférica e risco acrescido de trovoadas secas, sobretudo no Interior Norte e Centro.
De acordo com análises meteorológicas divulgadas pelo Meteo Trás-os-Montes e por plataformas especializadas, o período mais crítico deverá ocorrer durante a tarde e o início da noite, altura em que se prevê o desenvolvimento de forte atividade convectiva em diversas zonas do território.
As previsões do modelo de alta resolução HARMONIE-AROME apontam para a formação de núcleos de trovoada potencialmente severos, acompanhados por elevada densidade de descargas elétricas, granizo e rajadas de vento localmente intensas.
NORTE: Braga e Viana em alerta
As regiões mais vulneráveis incluem áreas do Interior Norte, nomeadamente Trás-os-Montes, bem como zonas montanhosas do Centro e a província de Ourense, na vizinha Galiza.
Segundo as previsões, a atividade elétrica deverá afetar particularmente os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, podendo também atingir zonas da Guarda, Viseu, Coimbra e áreas interiores dos distritos do Porto e Aveiro.
Um dos fenómenos que mais preocupa os especialistas é a possibilidade de ocorrência de trovoadas secas — situações em que há relâmpagos e trovões, mas a precipitação evapora antes de atingir o solo devido à presença de camadas de ar muito quente e seco. Este efeito, conhecido visualmente como “virga”, aumenta significativamente o risco de ignição de incêndios rurais.
A conjugação entre temperaturas elevadas, baixa humidade e descargas elétricas pode favorecer o surgimento de focos de incêndio, sobretudo em áreas de mato seco e floresta. As rajadas convectivas associadas às trovoadas poderão ainda contribuir para uma rápida propagação das chamas em caso de ignição.
Os especialistas alertam também para os riscos associados às descargas elétricas em espaços abertos, sobretudo junto de árvores isoladas, zonas elevadas ou locais sem abrigo seguro.
Apesar do cenário de instabilidade, os meteorologistas sublinham que este tipo de fenómenos mantém um elevado grau de imprevisibilidade, podendo as trovoadas desenvolver-se de forma muito localizada e com intensidade variável.
As previsões apontam para uma descida gradual das temperaturas a partir da tarde de quinta-feira, com a entrada de fluxo marítimo de noroeste, trazendo ar mais húmido e possibilidade de nevoeiro persistente no litoral. Até lá, mantém-se o alerta para calor extremo, trovoadas fortes e risco elevado de incêndios em várias regiões do país.



