João Marques, natural de Atães, no concelho de Vila Verde, voltou a evidenciar vitalidade, lucidez e espírito competitivo ao participar num torneio de sueca realizado em Penascais, organizado pela Comissão de Festas em honra de Santa Marinha.
A competição contou com a participação de 22 equipas e decorreu num ambiente de convívio, tradição e forte adesão a um dos jogos de cartas mais populares na região.
Aos 98 anos, João Marques fez equipa com o seu filho e, ao longo das várias partidas, conseguiu alcançar a final do torneio. Num desfecho singular, a decisão colocou frente a frente elementos da mesma família: do outro lado da mesa estavam o seu neto e o tio do seu neto, tornando a final num momento marcadamente familiar.
A partida decisiva acabou por não se realizar, uma vez que a hora já avançada — cerca das 2h30 da madrugada — levou a que a organização e os participantes optassem por não concluir o jogo, ficando a decisão em ambiente de convívio familiar.
Em tom simbólico, os prémios acabaram por “ficar em casa”, tendo sido atribuídos dois borregos (anhos) e dois presuntos, distribuídos entre os finalistas.
Para além do desempenho desportivo, João Marques é uma figura com percurso cívico na comunidade. Foi presidente da Junta de Freguesia de Atães durante doze anos, no período pós-25 de Abril, tendo também vivido uma experiência de emigração no Brasil durante o Estado Novo, da qual guarda várias histórias pessoais.
Apesar da idade avançada, mantém uma vida autónoma e ativa, continuando a conduzir e a participar regularmente em iniciativas locais, o que tem sido sublinhado por familiares e conhecidos como sinal da sua independência e energia.
O desempenho no torneio ganha ainda maior relevância por não ser um caso isolado. Este ano, João Marques já havia alcançado outra final em competição semelhante, reforçando a sua ligação continuada a este tipo de eventos.
Mais do que o resultado desportivo, a sua presença foi destacada pelo simbolismo intergeracional e pelo exemplo de participação comunitária. Em Penascais, a sueca voltou a afirmar-se como mais do que um jogo: um espaço de convívio, memória e identidade cultural que junta várias gerações à mesma mesa.



