O Partido Socialista (PS) afirmou esta manhã que não é visado pela investigação da Polícia Judiciária (PJ), na sequência das buscas realizadas na sua sede nacional, no Largo do Rato, em Lisboa, no âmbito de uma megaoperação relacionada com alegados crimes de corrupção no poder autárquico.
Em comunicado, o partido liderado por José Luís Carneiro sublinha que as diligências policiais estão “relacionadas com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores”, identificado como Duarte Moral, antigo assessor de António Costa e atual assessor de José Luís Carneiro, entretanto detido no âmbito da operação.
“O Partido Socialista não é, como tal, visado pela investigação da Polícia Judiciária”, refere a nota oficial.
Os socialistas acrescentam ainda que estão a colaborar com as autoridades “em tudo quanto lhe for solicitado”, garantindo o respeito pelos princípios do Estado de direito e pela normal condução das investigações.
A reação surge no contexto de uma das maiores operações recentes da Polícia Judiciária, que envolve cerca de 400 inspetores e visa uma alegada rede de favorecimento ligada ao poder autárquico do PS, com suspeitas de crimes como prevaricação, tráfico de influência e recebimento indevido de vantagem.
Segundo informação avançada, a investigação incide sobre contratos públicos por ajuste direto entre 2016 e 2022, que terão ultrapassado os 800 mil euros, envolvendo empresas ligadas a militantes socialistas e adjudicações no contexto autárquico.
No total, terão sido efetuadas cinco detenções, incluindo a de Duarte Moral, quatro delas fora de flagrante delito e uma por posse ilegal de arma. Foram ainda constituídos 37 arguidos no âmbito do processo.
No centro da investigação encontra-se a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, então liderada pelo socialista Miguel Coelho, também visado nas buscas. Em causa estará a alegada existência de uma rede de contratação envolvendo antigos candidatos autárquicos do PS e empresas associadas a militantes partidários.
As autoridades investigam ainda contratos com empresas ligadas a familiares de intervenientes no processo, incluindo adjudicações por ajuste direto que terão beneficiado estruturas empresariais relacionadas com o círculo político envolvido.
A operação mobiliza sete magistrados do Ministério Público e decorre em várias zonas do país, incluindo Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, ao abrigo de dezenas de mandados de busca domiciliária e não domiciliária.
A investigação encontra-se em curso e poderá abranger novos desenvolvimentos nos próximos dias.



