Menos filhos, mais tempo na escola; Crianças portuguesas passam em média 38 horas por semana na escola

Portugal está entre os países da União Europeia com menor proporção de crianças e entre aqueles onde os mais novos passam mais horas por semana em creches, jardins de infância e escolas. O retrato é traçado por dados divulgados pela Pordata, com base em informação do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat, por ocasião do Dia Mundial da Criança.

Os números revelam profundas mudanças demográficas nas últimas cinco décadas. Em 1975, as crianças com menos de 12 anos representavam 22% da população portuguesa. Em 2025, essa percentagem caiu para apenas 9,8%, colocando Portugal como o quarto país da União Europeia com menor peso da população infantil.

Há meio século, Portugal era o segundo país europeu com mais crianças em termos proporcionais. Hoje, é um dos que registou a maior quebra, com uma descida de 12,1 pontos percentuais, superada apenas por Espanha entre os países com séries estatísticas comparáveis.

Atualmente, vivem em Portugal cerca de 1,058 milhões de crianças com menos de 12 anos, num universo europeu de aproximadamente 50,6 milhões.

Crianças portuguesas passam mais horas na escola

Apesar da redução do número de crianças, a participação em contextos formais de educação e cuidados atingiu níveis historicamente elevados.

Entre os 6 e os 11 anos, Portugal lidera a União Europeia no número médio de horas semanais passadas na escola, com 38 horas por semana, bastante acima da média europeia de 31,5 horas.

Nas idades pré-escolares, os valores mantêm-se igualmente elevados. As crianças entre os 3 anos e a entrada no ensino obrigatório permanecem, em média, 38,3 horas por semana em creches ou jardins de infância, o quarto valor mais elevado da União Europeia. Já entre os menores de 3 anos, a média é de 36,7 horas semanais, colocando Portugal na quinta posição do ranking europeu.

A cobertura dos serviços de educação e cuidados para a infância também continua a crescer. Em 2025, quase 58% das crianças até aos 3 anos frequentavam algum tipo de educação formal, significativamente acima da média europeia de 40,5%.

No ensino pré-escolar, a cobertura aproxima-se da universalidade. Em 2024, 94,5% das crianças entre os 3 anos e a idade de entrada na escolaridade obrigatória frequentavam o pré-escolar, atingindo os 100% aos cinco anos de idade.

Uma em cada dez crianças vive em famílias monoparentais

Os dados mostram ainda alterações na composição das famílias portuguesas.

Existem atualmente cerca de 793 mil agregados familiares com pelo menos uma criança menor de 12 anos, correspondendo a 17% do total das famílias.

A maioria das crianças (69%) vive com um casal, enquanto 20% residem em agregados compostos por mais de dois adultos. Já 11% vivem em famílias monoparentais.

Menos crianças em risco de pobreza

Os indicadores sociais apontam igualmente para melhorias na última década.

Em 2025, cerca de 157 mil crianças com menos de 12 anos viviam em famílias em risco de pobreza, menos 103 mil do que em 2015. A tendência acompanha a verificada no conjunto da União Europeia, onde o número de crianças nesta situação diminuiu em cerca de 1,5 milhões nos últimos dez anos.

Ainda assim, a escolaridade dos pais continua a ser um dos principais fatores de influência no risco de pobreza ou exclusão social.

Entre as crianças com menos de seis anos, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social atinge 41,1% quando os pais têm apenas o ensino básico, descendo para 5,4% quando possuem ensino superior.

Entre os 6 e os 11 anos, a diferença mantém-se significativa: 37,2% das crianças cujos pais têm apenas o ensino básico encontram-se em risco de pobreza ou exclusão social, face a 6,7% das que têm pais com formação superior.

Apenas quatro municípios ganharam crianças

A distribuição da população infantil continua a evidenciar fortes assimetrias territoriais.

Desde 1991, apenas quatro dos 308 municípios portugueses aumentaram a proporção de crianças: Lisboa, Montijo, Aljezur e Vila Velha de Ródão.

Em 2024, a percentagem de crianças com menos de 10 anos variava entre os 3,6% registados em Almeida e os 11,1% observados em Ribeira Grande, nos Açores.

Por outro lado, os municípios de Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz registaram algumas das maiores quebras na proporção de população infantil ao longo das últimas décadas.

Os dados da Pordata traçam, assim, o retrato de um país cada vez mais envelhecido e com menos crianças, mas também com uma maior integração dos mais novos nos sistemas de educação e cuidados e com progressos assinaláveis no combate à pobreza infantil.

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Jornal O Desportivo

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