O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, considerou esta quarta-feira que a greve geral convocada pela central sindical está a registar uma adesão “muito idêntica” à verificada a 11 de dezembro do ano passado, apesar de, nessa ocasião, a paralisação ter contado também com o apoio da União Geral de Trabalhadores (UGT).
Num primeiro balanço da jornada de protesto, o líder sindical destacou a forte mobilização dos trabalhadores em vários setores da atividade económica e da administração pública, classificando a iniciativa como uma “grande greve geral”.
“A CGTP saúda todos os trabalhadores que estão a fazer do dia de hoje uma grande jornada de luta”, afirmou Tiago Oliveira, sublinhando que a paralisação constitui uma resposta à proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo.
Empresas, escolas e autarquias entre os setores mais afetados
Segundo o dirigente sindical, os dados recolhidos pela CGTP apontam para uma adesão expressiva em diversas empresas e serviços públicos.
Entre os exemplos referidos estão unidades industriais como a Sovena, a Bimbo e a Bosch Braga, onde a greve terá provocado fortes constrangimentos à atividade produtiva.
Tiago Oliveira destacou ainda adesões de 100% em empresas como a Bimbo, Sovena e Cimpor, bem como impactos significativos em unidades de saúde privadas, como a CUF Sintra e o Hospital da Luz, em Lisboa.
No setor público, o secretário-geral da CGTP referiu o encerramento de várias escolas e autarquias, bem como o funcionamento condicionado de diversos serviços administrativos.
Transportes e saúde registam forte adesão
Os transportes públicos surgem entre os setores mais afetados pela paralisação.
De acordo com a CGTP, o Metropolitano de Lisboa registou uma adesão total à greve, enquanto a circulação ferroviária na CP e na Infraestruturas de Portugal decorre apenas com os serviços mínimos definidos.
Também o setor da aviação enfrenta perturbações significativas, com impactos em diversas operações aeroportuárias e ligações aéreas.
Na saúde, o dirigente sindical referiu que vários hospitais estão a funcionar apenas com os serviços mínimos legalmente estabelecidos, garantindo a resposta às situações urgentes e inadiáveis.
Contestação centra-se na reforma laboral
A principal motivação da greve continua a ser a contestação ao pacote de alterações à legislação laboral promovido pelo Governo.
A CGTP considera que as medidas propostas poderão agravar a precariedade laboral, perpetuar baixos salários, aumentar a desregulação dos horários de trabalho e enfraquecer direitos fundamentais dos trabalhadores.
“O pacote laboral tem de ser retirado já”, reiterou Tiago Oliveira, defendendo que a mobilização dos trabalhadores poderá influenciar o desfecho do processo legislativo.
Governo mantém intenção de avançar com a reforma
As declarações do secretário-geral da CGTP surgem depois de a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, ter afirmado que a adesão à greve no setor privado estava a ser “absolutamente residual”, com base nos dados disponibilizados por confederações empresariais e grandes empresas.
Apesar da contestação sindical, o Governo mantém a intenção de prosseguir com a reforma laboral, atualmente em fase de apreciação parlamentar.
O processo de revisão da legislação laboral teve início em julho do ano passado e envolveu dezenas de reuniões entre Governo, sindicatos e confederações patronais. Contudo, as alterações propostas continuam a dividir os parceiros sociais.
Ao contrário do que aconteceu na greve geral de dezembro, desta vez a paralisação foi convocada apenas pela CGTP, uma vez que a UGT optou por não aderir ao protesto, considerando que o debate parlamentar constitui o momento adequado para discutir e avaliar as propostas apresentadas.
Ainda assim, a central sindical liderada por Tiago Oliveira considera que a mobilização desta quarta-feira demonstra a rejeição dos trabalhadores às alterações previstas e promete continuar a contestação ao longo das próximas semanas.



