Um grupo de Bicigrinos oriundos de Vila Verde e Braga iniciou esta semana o percurso do Caminho Português de Santiago – Leon de Rosmithal, completando a primeira etapa entre Freixo de Espada à Cinta e Freixiel. Ao longo de 69 quilómetros e cerca de 1.800 metros de desnível acumulado positivo, os participantes enfrentaram uma jornada exigente, marcada por fortes subidas, trilhos técnicos e algumas das mais emblemáticas paisagens do interior transmontano.
Logo nos primeiros quilómetros, o percurso revelou a sua exigência física, com encostas íngremes e vales profundos a colocarem à prova a resistência dos ciclistas. A altimetria desafiante e a sucessão de montes e aldeias evocaram memórias do Caminho Francês de Santiago para alguns dos participantes, proporcionando uma experiência que conjuga esforço, contemplação e descoberta.
Ao longo do trajeto, a paisagem assumiu um papel de destaque. Cerejeiras carregadas de fruto, olivais centenários, socalcos de xisto e vastos horizontes acompanharam os Bicigrinos durante grande parte da etapa, oferecendo cenários que muitos classificaram como autênticos postais do Nordeste Transmontano.
A travessia por pequenas aldeias de reduzida densidade populacional evidenciou também uma das realidades da região: o despovoamento do interior. Ruas silenciosas e escassa presença humana marcaram várias passagens, reforçando a autenticidade e o caráter singular deste território.
Os participantes destacaram ainda a qualidade dos trilhos para a prática de BTT, considerando que o percurso possui um elevado potencial para os adeptos da modalidade. No entanto, apontaram a necessidade de reforço da sinalização em algumas zonas de transição entre trilhos e estradões, onde a orientação se torna mais desafiante.
A passagem por Torre de Moncorvo serviu de ponto de paragem para almoço e convívio, permitindo recuperar energias para a segunda metade da etapa. Já durante a tarde, a travessia por Vila Flor voltou a proporcionar momentos de grande riqueza paisagística, com a luz quente do final do dia a valorizar ainda mais a beleza natural da região.
A chegada a Freixiel assinalou o final de uma etapa descrita pelos participantes como épica e inesquecível. Apesar do desgaste físico acumulado ao longo dos 69 quilómetros, o sentimento predominante foi de satisfação pela superação de um percurso que combinou exigência técnica, património natural e espírito de aventura.
O grupo prossegue agora a sua peregrinação no Caminho Português de Santiago – Leon de Rosmithal, tendo pela frente uma nova etapa entre Freixiel e Vila Pouca de Aguiar, apontada como uma das mais duras do percurso, prometendo novos desafios e mais histórias para contar ao longo desta experiência de fé, desporto e descoberta do território.
[email protected] / Com Pedro Dias – Diário






































