A atriz, bailarina e encenadora Lily Neves morreu na sexta-feira de manhã, em Lisboa, aos 94 anos, informou a Casa do Artista através das redes sociais. Considerada uma das primeiras atrizes a trabalhar na televisão portuguesa, deixa um vasto percurso nas artes performativas nacionais.
Nascida em Molelos, no concelho de Tondela, distrito de Viseu, a 18 de fevereiro de 1932, Lily Neves iniciou a sua formação artística no Conservatório Nacional, onde concluiu os cursos de bailado e de atores. Ainda enquanto estudante, estreou-se como atriz em 1948, integrando desde cedo o meio teatral português.
Ligada ao Círculo de Iniciação Coreográfica dirigido por Margarida de Abreu, construiu uma carreira que cruzou a dança e o teatro, com passagem por importantes palcos nacionais como o Teatro Estúdio do Salitre e o Teatro Nacional D. Maria II.
No Teatro Apolo participou na peça “Um Chapéu de Palha de Itália”, com encenação de António Pedro, consolidando o seu percurso artístico numa fase de renovação do teatro português.
Pioneira da televisão em Portugal
Lily Neves destacou-se ainda como uma das primeiras intérpretes a integrar produções televisivas em Portugal, participando em teleteatro e em séries pioneiras da televisão nacional.
Entre os seus trabalhos contam-se “O Tio Simplício” (1958), com realização de Artur Ramos, a série “O Grande Industrial” (1959) e a minissérie “A TV Através dos Tempos” (1965), projetos que marcaram os primeiros anos da televisão em Portugal.
Ao longo da carreira, manteve uma presença discreta, mas contínua, no panorama artístico, regressando ocasionalmente a projetos televisivos mais recentes.
Em 2024, participou na série “Matilha”, da RTP, realizada por João Maia, demonstrando uma ligação duradoura ao meio audiovisual.
Legado nas artes performativas
A trajetória de Lily Neves cruza diferentes períodos da história do teatro e da televisão em Portugal, desde os primeiros ensaios televisivos até à consolidação das artes performativas no país.
A sua carreira, marcada pela versatilidade entre dança, teatro e televisão, é reconhecida como parte integrante da geração pioneira que contribuiu para a construção da cultura televisiva nacional.
A Casa do Artista destacou publicamente o seu percurso e lamentou o desaparecimento de uma das figuras pioneiras do meio artístico português.



