O pequeno lugar de Mixões da Serra, situado no alto da freguesia de Valdreu, concelho de Vila Verde, voltou a revelar-se insuficiente para acolher os milhares de peregrinos que, na manhã deste domingo, participaram na tradicional e secular Bênção dos Animais e nas celebrações em honra de Santo António.
Numa das mais emblemáticas manifestações religiosas e populares do Minho, a fé, a tradição e a ligação ao mundo rural voltaram a cruzar-se numa romaria cuja origem remonta ao século XVII. Desde as primeiras horas da manhã, por estradas sinuosas e pequenos acessos que conduzem ao santuário, chegaram milhares de visitantes provenientes de vários pontos da região e do país.
Acompanhando os seus proprietários, marcaram presença animais de todas as espécies e raças, numa demonstração da vitalidade de uma tradição única em Portugal. Entre os mais numerosos estiveram os cães, gatos, periquitos, papagaios e galinhas, mas o maior destaque voltou a pertencer ao gado bovino e cavalar, que conferiu à celebração uma imagem fortemente ligada às raízes agrícolas e pecuárias do território.
A cerimónia da bênção reuniu centenas de animais junto ao santuário, num momento carregado de simbolismo e devoção, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e continua a mobilizar famílias inteiras.
A importância cultural e identitária da romaria trouxe este ano a Mixões da Serra o Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. Natural de Vila Verde, o governante associou-se às celebrações, sublinhando o valor das tradições rurais na preservação da identidade das comunidades.
“Estamos aqui para recordar e celebrar as tradições rurais, que constituem um dos alicerces fundamentais do mundo rural e da nossa identidade coletiva”, referiu o ministro durante a visita.
Mais do que uma cerimónia religiosa, a Bênção dos Animais de Santo António de Mixões da Serra continua a afirmar-se como um encontro singular entre a fé cristã, a devoção popular e a valorização das atividades ligadas à terra. Ano após ano, a romaria mantém intacta a capacidade de atrair milhares de pessoas, preservando um património imaterial que constitui uma das mais genuínas expressões da cultura minhota.
Entre cavalos, bovinos, cães e tantos outros animais, milhares de fiéis e visitantes voltaram a celebrar uma tradição secular que continua a marcar gerações, reforçando o estatuto de Mixões da Serra como um dos mais simbólicos centros de peregrinação popular do Norte de Portugal.
































































































