Um ataque de lobos ocorrido no passado sábado no concelho de Montalegre provocou a morte de 25 ovelhas, causando prejuízos de várias centenas de euros a um pastor da região e reacendendo as preocupações dos produtores pecuários quanto ao aumento deste tipo de ocorrências.
Em declarações ao Jornal de Notícias, o presidente do Grupo de Criadores do Norte, Rafael Campos de Azevedo, afirmou que este caso se soma a muitos outros registados nos últimos tempos em várias zonas do Norte do país.
“É mais um caso que se junta aos muitos ataques que têm vindo a ser registados em várias regiões do Norte de Portugal, causando elevados prejuízos económicos aos criadores”, afirmou o dirigente associativo, defendendo que estas situações colocam em causa a continuidade de explorações agropecuárias e a preservação do mundo rural.
Segundo Rafael Azevedo, já na madrugada desta segunda-feira ocorreu um novo ataque no concelho de Montalegre, que resultou na morte de um bovino e ferimentos noutro animal. O responsável explicou que os prejuízos são particularmente elevados por se tratar de exemplares da raça Angus, cuja criação envolveu cerca de 19 meses de trabalho.
O dirigente sustenta que os ataques de lobos constituem uma realidade frequente para os produtores. “Recebemos fotos e vídeos de ataques praticamente todos os dias”, afirmou, acrescentando que, em zonas como Montalegre e o Minho, os criadores relatam investidas de lobos em qualquer altura do dia e até junto das aldeias, apesar da existência de vedações e cães de proteção.
A preocupação dos pastores surge também numa altura em que está prevista a implementação do Programa Alcateia 2025-2035. Segundo os produtores, existe receio de que o reforço das medidas de proteção ao lobo-ibérico possa traduzir-se num aumento dos ataques ao gado.
Além dos prejuízos causados pelas investidas, os agricultores contestam os atrasos no pagamento das compensações. De acordo com Rafael Azevedo, muitos ataques registados este ano continuam sem indemnização, havendo processos que permanecem por concluir vários meses após as ocorrências.
Entretanto, a ministra do Ambiente anunciou recentemente, na Assembleia da República, que o Governo está a preparar um novo decreto-lei para reforçar a proteção do lobo-ibérico. A medida integra o Plano Nacional de Restauro da Natureza, documento que Portugal deverá apresentar à Comissão Europeia até setembro.



