O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira aumentar as suas taxas de juro diretoras em 25 pontos base, elevando a taxa de referência para 2,25%. Trata-se da primeira subida dos juros em quase três anos, interrompendo um período de estabilidade que se mantinha desde julho de 2025.
A decisão foi anunciada no final da reunião do Conselho do BCE, que justificou a medida com o agravamento das pressões inflacionistas decorrentes da instabilidade geopolítica no Médio Oriente e dos seus impactos nos mercados energéticos.
Em comunicado, a instituição liderada por Christine Lagarde refere que a guerra na região “está a gerar pressões inflacionistas” e considera que a subida das taxas constitui uma resposta adequada perante os diferentes cenários que poderão afetar as perspetivas económicas da Zona Euro nos próximos meses.
A decisão era amplamente antecipada pelos mercados financeiros desde março. Apesar de o BCE ter optado por manter as taxas inalteradas nas duas reuniões anteriores, vários analistas apontavam para junho como o momento mais provável para o regresso ao ciclo de aperto monetário.
Para o economista e analista de mercados Filipe Garcia, a medida tem também uma componente de credibilidade institucional. “O BCE sobe taxas de juro para se defender e para evitar futuras críticas caso a inflação continue a aumentar. Ainda assim, é discutível que a política monetária seja eficaz perante um fenómeno inflacionista impulsionado sobretudo pelos preços da energia”, considera.
A taxa diretora passa assim dos 2% para os 2,25%, permanecendo distante dos máximos registados em anteriores ciclos de subida, mas marcando uma mudança de orientação da política monetária europeia.
Impacto nos créditos à habitação
A subida das taxas de referência deverá refletir-se nas prestações dos contratos de crédito à habitação com taxa variável, embora parte desse impacto já tenha começado a ser sentido nos últimos meses através da evolução das taxas Euribor.
Segundo estimativas do setor financeiro, os contratos revistos recentemente registaram aumentos mensais que, em alguns casos, variam entre 30 e 60 euros para empréstimos de cerca de 150 mil euros, com spread de 1%.
A expectativa dos mercados aponta agora para a possibilidade de novos aumentos das taxas diretoras nos próximos meses. A maioria dos analistas considera que esta poderá ser apenas a primeira de várias subidas, admitindo uma nova decisão já em setembro, caso as pressões inflacionistas persistam.
Caso esse cenário se confirme, as famílias com crédito à habitação poderão enfrentar um novo agravamento dos encargos financeiros, num contexto de custos de vida já pressionados pela evolução dos preços da energia e de outros bens essenciais.
Além do impacto sobre os consumidores, a decisão do BCE poderá influenciar o ritmo de crescimento económico da Zona Euro, numa altura em que os bancos centrais procuram equilibrar o combate à inflação com os riscos de desaceleração da atividade económica.



