O ‘call center’ da Intelcia, uma empresa prestadora de serviços que ocupa um edifício camarário em Fafe, vai poder manter-se naquelas instalações até 31 de dezembro, informou esta quinta-feira a Câmara Municipal.
“Importa igualmente esclarecer que a Intelcia remeteu formalmente ao Município um pedido de extensão do prazo de permanência nas atuais instalações, solicitando a desocupação até 31 de dezembro de 2026, por forma a garantir uma transição organizada e sem sobressaltos. O pedido foi deferido favoravelmente pela Câmara Municipal, compreendendo a necessidade de criar condições para uma transição mais estável e salvaguardar os postos de trabalho”, lê-se num esclarecimento da autarquia enviado à Lusa, no qual não é especificado de quando data esta decisão.
Esta resposta surge depois de, na quarta-feira, mais de 50 trabalhadores do ‘call center’ da Intelcia terem realizado uma concentração diante da Câmara de Fafe para pedir ao executivo que prolongasse até 31 de dezembro o arrendamento do edifício no qual trabalham.
A porta-voz dos cerca de 220 trabalhadores da empresa, Inês Silva, explicou que “o espaço onde a empresa está instalada em Fafe é da autarquia que, após o ter cedido há uns anos para garantir a fixação dos postos de trabalho, decidiu agora instalar ali a Proteção Civil local, bem como a Polícia Municipal”.
Hoje, admitindo que a decisão de prolongar a permanência nas instalações não foi tornada pública antes, fonte do Município de Fafe referiu à Lusa que a decisão é anterior ao protesto.
No esclarecimento da autarquia, esta recorda que teve em 2015 “um papel decisivo na instalação desta operação no concelho, através da celebração de um protocolo que permitiu a implementação de um centro de contacto em Fafe, assumindo desde então uma postura de permanente colaboração institucional com a empresa”.
“Ao longo dos últimos 10 anos, primeiro com a Randstad II e posteriormente com a Intelcia, a autarquia acompanhou a consolidação desta operação enquanto importante fonte de emprego, qualificação profissional e dinamização económica local”, lê-se.
A Câmara acrescenta que, em 2021, apesar do contrato inicial se encontrar praticamente cessado, autorizou a renovação anual do arrendamento do imóvel municipal, permitindo a continuidade da atividade que se prolongou por mais cinco anos, num quadro de cooperação e estabilidade.
No entanto, “com a criação do novo Departamento Municipal de Segurança e Fiscalização, agregando os serviços de Polícia Municipal, Proteção Civil e Fiscalização, tornou-se necessário recuperar o edifício municipal para instalação de serviços públicos essenciais, reforçando a capacidade de resposta e proximidade à população”, acrescenta.
“Ainda assim, o Município privilegiou, desde o primeiro momento, uma transição responsável, equilibrada e dialogante, comunicando a denúncia do contrato com uma antecedência superior (dobro) à legalmente exigida e prevista no contrato”, garante, reafirmando “total disponibilidade para continuar a colaborar e sensibilizar a empresa no sentido de manter os postos de trabalho e a atividade no concelho”.
Na quarta-feira, Inês Silva contou que a empresa recebeu em janeiro a indicação da autarquia para sair até 31 de julho, alegando que precisa das instalações, prazo que a empresa e os trabalhadores “constataram ser curto para encontrar uma solução”.
“Foram encontradas alternativas pela empresa (…), mas não é de um dia para o outro que um edifício com o tamanho do atual se consegue”, insistiu a representante dos trabalhadores.
Revelou ainda que a empresa pediu ao presidente da Câmara, por carta, que se prolongue o prazo, pelo menos até 31 de dezembro, para dar mais hipóteses à empresa, que já tem negociações com outro concelho, evitando, dessa forma, o recurso ao teletrabalho.
“A preocupação da empresa é a manutenção de todos os postos de trabalho, mas o teletrabalho pode ser inevitável”, admitiu a trabalhadora, preocupada como o facto de existirem colegas que “não conseguirão trabalhar nessa versão e que podem acabar no desemprego”.



