A violência contra pessoas idosas registou um aumento superior a 26% nos últimos cinco anos, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que alerta para a persistência de uma realidade frequentemente invisível e subnotificada.
De acordo com as estatísticas mais recentes da instituição, o número de idosos apoiados pela APAV devido a situações de crime e violência cresceu 26,5% entre 2021 e 2025, refletindo uma tendência preocupante que continua a afetar milhares de pessoas em todo o país.
A violência doméstica permanece como o crime mais frequentemente reportado, representando a grande maioria dos casos acompanhados pela associação. Os dados mostram que muitas destas situações ocorrem no seio familiar, envolvendo pessoas próximas da vítima, como filhos, cônjuges ou outros familiares.
Para a APAV, os números evidenciam a necessidade de reforçar mecanismos de prevenção, deteção precoce e apoio especializado, sobretudo numa sociedade cada vez mais envelhecida.
A associação sublinha ainda que muitos casos permanecem ocultos durante anos. Em diversas situações, as vítimas vivem sob episódios continuados de violência antes de procurarem ajuda ou denunciarem os agressores às autoridades.
Além das agressões físicas, os idosos são também vítimas de violência psicológica, ameaças, coação, insultos, negligência e crimes patrimoniais, como burlas e abusos financeiros, formas de violência que podem ter impactos profundos na saúde física e emocional.
A APAV destaca que uma parte significativa das vítimas nunca formaliza queixa, seja por medo, dependência emocional ou económica, vergonha ou receio de represálias por parte dos agressores.
Perante este cenário, a instituição apela a uma maior sensibilização da sociedade para os sinais de violência contra idosos e reforça a importância da denúncia e do apoio às vítimas.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social gratuito e confidencial através da sua rede nacional de gabinetes, da Linha de Apoio à Vítima e de plataformas digitais de atendimento.
Os dados agora divulgados reforçam a preocupação das entidades de apoio social e das autoridades relativamente à proteção da população idosa, num contexto em que o envelhecimento demográfico coloca novos desafios à prevenção e combate da violência.



