Portugal registou 57 mortes por afogamento entre 1 de janeiro e 31 de maio deste ano, um número que se aproxima do pior registo desde o início da série histórica do Observatório do Afogamento, em 2017. Os dados provisórios foram divulgados esta terça-feira pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS), que alerta para a necessidade de uma resposta nacional mais robusta para travar o aumento destes acidentes.
Segundo a federação, o número de vítimas mortais registado até ao final de maio é praticamente idêntico ao contabilizado no mesmo período de 2024, quando foram registadas 58 mortes, o valor mais elevado desde que o observatório começou a monitorizar este fenómeno.
No relatório referente ao primeiro trimestre do ano, a FEPONS registou 36 mortes por afogamento entre janeiro e março, o valor mais elevado de sempre para este período. Face ao período homólogo do ano anterior, representa um aumento de 28,6%, reforçando uma tendência que a federação considera preocupante.
A análise dos locais onde ocorreram os acidentes revela que os rios continuam a concentrar o maior número de vítimas, representando 47,2% dos casos registados no primeiro trimestre. Seguem-se o mar, com 19,4%, as estradas inundadas, com 11,1%, e os poços e barragens, ambos com 8,3%. Foram ainda registadas ocorrências em portos de abrigo e piscinas domésticas.
O perfil das vítimas mostra uma predominância de homens, que representam 69,4% dos casos, sendo a faixa etária entre os 20 e os 24 anos a mais afetada. Um dos dados que mais preocupa os especialistas é o facto de todas as ocorrências registadas terem acontecido em locais sem assistência a banhistas.
Em termos geográficos, os distritos de Coimbra e Braga, bem como a Região Autónoma da Madeira, destacam-se entre os territórios com maior incidência de casos durante o primeiro trimestre, concentrando uma parte significativa das ocorrências registadas.
Perante este cenário, o Observatório do Afogamento anunciou a intenção de solicitar reuniões com entidades governamentais para apresentar propostas concretas destinadas à redução do número de mortes em meio aquático.
A federação defende um reforço das campanhas de sensibilização e educação para o risco aquático, bem como a implementação de medidas específicas para rios, barragens e outras zonas de águas interiores, onde ocorre a maioria dos acidentes fatais. Entre as propostas estão ainda a revisão da legislação relativa à assistência a banhistas, a criação de mecanismos para atrair e reter nadadores-salvadores e a aposta em sistemas de avaliação e prevenção do risco.
“Os dados demonstram que o afogamento continua a ser um problema de segurança pública que exige uma resposta nacional coordenada e baseada na prevenção”, sublinha a FEPONS.
A divulgação destes números ocorre numa altura em que decorre a época balnear de 2026, oficialmente em vigor entre 15 de abril e 31 de outubro. Este ano, Portugal conta com 673 águas balneares identificadas, distribuídas por todo o território nacional, num período em que as autoridades reforçam os apelos à adoção de comportamentos seguros junto de praias, rios, barragens e piscinas.
Para os especialistas, os dados agora conhecidos demonstram que o combate ao afogamento continua a representar um dos principais desafios de segurança pública ligados às atividades aquáticas, exigindo maior prevenção, vigilância e sensibilização da população.



