Os preços dos combustíveis deverão registar uma descida significativa na próxima semana, com o gasóleo a apresentar a redução mais expressiva. As previsões apontam para uma queda de cerca de 10 cêntimos por litro no gasóleo simples e de aproximadamente seis cêntimos por litro na gasolina simples.
A confirmação dos novos preços deverá ocorrer na sexta-feira, após a divulgação das previsões oficiais do setor, mas os indicadores dos mercados internacionais apontam para um alívio considerável nos custos suportados pelos automobilistas portugueses.
A concretizar-se este cenário, trata-se de uma das descidas mais significativas registadas nos últimos meses, refletindo a evolução recente das cotações do petróleo nos mercados globais.
Queda surge após acordo entre Estados Unidos e Irão
A descida dos combustíveis está diretamente relacionada com a redução do preço do petróleo, que reagiu positivamente à assinatura de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão destinado a pôr fim ao conflito que vinha afetando a região do Médio Oriente.
O acordo foi confirmado pelas autoridades iranianas e norte-americanas, sendo posteriormente referido pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que indicou que o entendimento entrou em vigor de forma imediata.
Entre as primeiras medidas previstas está a reabertura do Estreito de Ormuz por parte do Irão e a suspensão do bloqueio naval pelos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das mais importantes rotas energéticas do mundo, sendo responsável pela passagem de cerca de um quarto do petróleo e gás comercializados internacionalmente. O seu bloqueio, desde o início das tensões militares na região, provocou uma forte subida das cotações do crude ao longo dos últimos meses.
Brent recua para mínimos de vários meses
Na sequência do anúncio do acordo, o preço do petróleo Brent, referência para o mercado europeu, registou uma queda superior a 3%, descendo para cerca de 77 dólares por barril.
Pelas primeiras horas da manhã, o Brent era negociado a 77,15 dólares por barril, atingindo o valor mais baixo desde o início de março.
Também o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, registava perdas superiores a 3%, sendo transacionado em torno dos 74 dólares por barril.
Antes do agravamento do conflito no Médio Oriente, o Brent encontrava-se próximo dos 72 dólares por barril. O aumento da instabilidade geopolítica e os receios quanto ao abastecimento energético mundial impulsionaram posteriormente os preços para níveis mais elevados.
Automobilistas já beneficiaram de redução esta semana
A expectativa de nova descida surge poucos dias depois de uma atualização favorável para os consumidores portugueses.
No início desta semana, o preço do gasóleo registou uma redução média de cerca de 2,6 cêntimos por litro, enquanto a gasolina sofreu um ligeiro aumento na ordem de meio cêntimo.
Caso as previsões agora apontadas se confirmem, tanto os condutores de veículos a gasóleo como os proprietários de automóveis a gasolina poderão beneficiar de uma redução expressiva dos custos de abastecimento já a partir da próxima segunda-feira.
Mercados reagem positivamente ao entendimento
A assinatura do acordo entre Washington e Teerão teve também reflexos nos mercados financeiros internacionais.
As principais bolsas asiáticas registaram ganhos significativos, com o índice Nikkei, do Japão, a avançar cerca de 1,8%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu aproximadamente 2,6%. Na China, o índice de Shenzhen registou igualmente uma valorização superior a 1%.
Os investidores interpretaram o entendimento como um sinal de redução das tensões geopolíticas e de maior estabilidade nos mercados energéticos, fatores que contribuíram para a descida do preço do petróleo e para o aumento da confiança dos mercados.
Se a tendência se mantiver nos próximos dias, os consumidores portugueses poderão começar a sentir os efeitos desta evolução internacional já na próxima semana, através de uma redução significativa dos preços praticados nas bombas de combustível.



