O Ministério Público acusou nove elementos do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) de 29 crimes, sobretudo terrorismo. No mesmo documento, é descrito que o grupo neonazi terá planeado invadir a casa do primeiro-ministro no início do ano passado. O plano acabou por não se concretizar, uma vez que Montenegro estava a dormir num hotel em Lisboa, em vez de no apartamento.
Os neonazis são acusados de adesão a grupo terrorista, incitamento, recrutamento, detenção de arma proibida e tráfico de armas.
A acusação da procuradora Cláudia Oliveira Porto, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, a que a SIC teve acesso, tem mais de 700 páginas.
As autoridades suspeitam que o grupo planeou ataque com granada a casa do primeiro-ministro em Lisboa, avança o jornal Expresso e confirma a SIC.
Segundo a acusação do Ministério Público, o grupo tinha uma lista de alvos definidos, onde se encontravam políticos, apresentadores e até o antigo Presidente da República, Cavaco Silva.
Seria através de mensagens encriptadas em aplicações, como o Telegram e o Signal, que espalhavam o ódio racial e planeariam crimes violentos contra alvos pré-definidos. O nome de Luís Montenegro surge em várias conversas.
O líder do MAL, Bruno G., terá tido acesso a um documento, enquanto elemento da Polícia Municipal, que revelava que o prédio onde fica o apartamento tinha vigilância permanente por parte a PSP. Teve acesso à lista de agentes envolvidos na segurança e obteve a identificação de um deles. O grupo terá chegado a combinar vigiar o edifício.
Apesar de afastarem o sequestro de Luís Montenegro, um dos elementos do grupo neonazi sugeriu que atirassem para o apartamento uma granada de 37 mm.
Na acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), deduzida pela procuradora Cláudia Oliveira Porto e a que a SIC teve acesso, constam trocas de mensagens entre membros deste grupo sobre o plano. “Sequestro é para esquecer, mas uma granada de 37 mm disparada por uma janela adentro não está fora da ementa.”
O plano, do início de 2025, acabou por não se concretizar, uma vez que o social-democrata estava a dormir num hotel, em vez de no apartamento.
CAVACO, MARCELO E COSTA ENTRE OS ALVOS
O primeiro-ministro não era o único alvo. Havia quase 300 nomes e das mais variadas áreas: da política à televisão, do comentário a associações de apoio a imigrantes, passando pela casa de um antigo chefe de Estado.
Elementos do grupo partilharam imagens da casa de Aníbal Cavaco Silva, fazendo referência ao antigo Presidente da República e a Luís Montenegro, que aparece nas mensagens como o “Monstro”.
“Ataca-se o Cavaco para ir buscar o Monstro”, diz uma mensagem.
Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Luís Marques Mendes eram igualmente visados pelo grupo neonazi.
Há ainda registos das matrículas dos veículos de Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, e de Rui Tavares, líder do Livre, e imagens de Abreu Amorim a almoçar no Campo Pequeno, em Lisboa.
Nas mesmas mensagens citadas na acusação, elementos do grupo de extrema-direita usavam palavras de código, como “presentes” e “brinquedos”, para se referirem a armas de fogo que usariam em ataques.
O Movimento Armilar Lusitano está classificado como grupo neonazi, fascista e defensor da supremacia branca e era vigiado de perto pelas autoridades até ser desmantelado.



