A Direção-Geral da Saúde (DGS) deverá ativar nas próximas horas o plano de contingência para temperaturas extremas, face às previsões que apontam para uma subida significativa dos termómetros em Portugal nos próximos dias.
A confirmação foi dada por Miguel Telo de Arriaga, diretor dos Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde da DGS, que adiantou que a medida poderá entrar em vigor ainda durante esta quinta-feira ou no início de sexta-feira, numa altura em que as autoridades antecipam um maior impacto das temperaturas elevadas na saúde pública, sobretudo a partir de domingo.
“Penso que será ainda até ao final do dia de hoje ou no início do dia de amanhã que começamos a esperar um maior impacto na saúde das pessoas”, afirmou à TSF.
A ativação do plano de contingência prevê a adoção de várias medidas por parte das unidades de saúde, ajustadas ao nível de risco identificado.
Entre as ações previstas estão o reforço dos recursos humanos disponíveis, a reorganização dos serviços e o alargamento do horário de funcionamento de algumas unidades de saúde, de forma a garantir uma resposta adequada ao aumento esperado da procura assistencial.
Segundo a DGS, todos os serviços do Serviço Nacional de Saúde, incluindo as Unidades Locais de Saúde e os Institutos Portugueses de Oncologia (IPO), dispõem de planos específicos para situações de calor extremo.
Temperaturas extremas aumentam riscos para a saúde
Miguel Telo de Arriaga alertou para o impacto que as ondas de calor podem ter na mortalidade, sobretudo quando se verificam temperaturas máximas superiores a 40 graus e noites tropicais, com mínimas acima dos 21 ou 22 graus.
“É verdade que sempre tivemos verões quentes, mas quando temos temperaturas muito elevadas e mínimas que não descem durante a noite, o impacto na saúde é significativamente maior”, explicou.
O responsável sublinha que o calor não é, na maioria das situações, a causa direta da morte, mas pode desencadear o agravamento de problemas de saúde já existentes.
“O calor atua quase como um gatilho, levando à descompensação de doenças de base que, infelizmente, podem resultar na morte. Muitas vezes, o calor atua como um gatilho e não como a causa de morte em si”, referiu.
Idosos e doentes crónicos entre os mais vulneráveis
A DGS destaca como grupos de maior risco as pessoas idosas, os doentes cardiovasculares e respiratórios, as crianças, especialmente os bebés com menos de seis meses, as grávidas e os trabalhadores expostos ao calor em atividades ao ar livre.
Perante este cenário, as autoridades recomendam a adoção de medidas preventivas, nomeadamente a permanência em locais frescos, a hidratação frequente e a redução da exposição solar durante os períodos de maior calor.
Médicos apelam à prevenção
Também Bernardo Trindade, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, reforçou a necessidade de evitar atividades ao ar livre nas horas mais quentes do dia.
O especialista aconselha a utilização de espaços climatizados sempre que possível e destaca a importância da ingestão regular de água e de alimentos ricos em líquidos e nutrientes, como frutas.
“Tentar evitar a exposição direta ao calor e reforçar a ingestão de água são duas medidas cruciais para prevenir problemas de saúde associados às temperaturas extremas”, sublinhou.
As previsões meteorológicas apontam para uma subida acentuada das temperaturas durante o fim de semana, podendo algumas regiões do país registar valores próximos dos 45 graus, cenário que mantém as autoridades de saúde e proteção civil em estado de elevada vigilância.



