A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 169 pessoas refugiadas vítimas de crime e violência entre 2021 e 2025, revelam os dados divulgados esta sexta-feira pela instituição, por ocasião do Dia Mundial dos Refugiados, assinalado no sábado. As estatísticas mostram um aumento expressivo dos pedidos de ajuda ao longo do período analisado, com o número de vítimas acompanhadas a crescer 287,5% face a 2021.
Segundo a associação, foram apoiadas 120 pessoas refugiadas vítimas de crime e violência em 2025, um valor que contrasta com as 31 registadas em 2021. A evolução dos números evidencia uma tendência global de crescimento, apesar de oscilações anuais. Em 2022 foram acompanhadas 85 vítimas, número que desceu para 14 em 2023, antes de voltar a aumentar para 69 em 2024 e atingir o valor mais elevado em 2025.
Do total de vítimas apoiadas durante os cinco anos em análise, cerca de 71% eram mulheres, enquanto os homens representaram aproximadamente 27%. A maioria encontrava-se na faixa etária dos 18 aos 64 anos, embora a APAV tenha igualmente prestado apoio a crianças, jovens e idosos.
Os dados revelam ainda que a maior parte das vítimas refugiadas acompanhadas pela associação era proveniente da Europa, representando 78,7% do total. Seguem-se pessoas oriundas da Ásia, com 12,4%, de África, com 5,3%, e do continente americano, com 3,6%.
A nacionalidade ucraniana surge destacada nas estatísticas, refletindo o impacto da guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia nos fluxos migratórios e nos pedidos de apoio recebidos em Portugal. Das 169 vítimas refugiadas acompanhadas pela APAV entre 2021 e 2025, 117 eram ucranianas, correspondendo a 69,2% do total.
A violência doméstica continua a ser o principal motivo de procura de apoio. Dos 349 crimes e formas de violência registados neste universo de vítimas, 284 estavam relacionados com situações de violência doméstica, representando mais de quatro quintos dos casos identificados.
A associação registou ainda 21 ocorrências classificadas como outros crimes ou formas de violência, 16 casos de violência sexual, oito situações de ofensas à integridade física, sete de ameaça ou coação, sete de difamação ou injúria e seis relacionadas com criminalidade patrimonial.
No que diz respeito aos alegados agressores, os homens representaram cerca de 68% dos casos em que foi possível determinar o sexo do autor. Quanto à relação com a vítima, a categoria mais frequente correspondeu a madrastas ou padrastos, com 34,7% dos casos. Seguiram-se os cônjuges, com 12,4%, companheiros ou companheiras e pessoas conhecidas, ambos com 4,1%, ex-companheiros, com 2,9%, pais ou mães, também com 2,9%, e funcionários de instituições, com 2,4%.
As estatísticas revelam ainda uma reduzida taxa de denúncia às autoridades. Em mais de metade das situações acompanhadas pela APAV não foi formalizada qualquer participação criminal. Apenas 28,4% das vítimas apresentaram queixa, enquanto 58,6% optaram por não o fazer.
Para a associação, os dados demonstram que muitas pessoas refugiadas continuam a enfrentar situações de violência e criminalidade mesmo após chegarem ao país de acolhimento, evidenciando a necessidade de respostas especializadas de proteção, acompanhamento e integração.
Os números agora divulgados integram o balanço da atividade da APAV junto de pessoas refugiadas vítimas de crime e violência entre 2021 e 2025, publicado no âmbito das comemorações do Dia Mundial dos Refugiados.



