O futuro da antiga escola primária de Atiães voltou a marcar o debate na Assembleia Municipal de Vila Verde, num dossiê que se arrasta há vários anos e que tem oposto a Junta de Freguesia local ao executivo municipal.
O tema foi novamente levantado por Samuel Estrada, presidente da Junta de Freguesia de Atiães, que criticou aquilo que considera ser a demora do município na resolução da situação do edifício, anteriormente cedido a um privado para a produção de gin e cujo contrato de comodato foi alvo de contestação.
Na sua intervenção, o autarca afirmou não poder deixar de “notar e lamentar a delonga e ambiguidade” que, no seu entender, têm marcado a atuação da Câmara Municipal neste processo.
“Um ano depois de ter afirmado nesta assembleia que iria avançar para a resolução do contrato de comodato com um produtor de gin, está tudo na mesma”, afirmou Samuel Estrada, acrescentando que a situação se agrava pela posição que considera ambígua da presidente da Câmara.
O responsável da junta questionou diretamente o executivo sobre as diligências realizadas para resolver o processo e sobre a possibilidade de o imóvel vir a ser entregue à freguesia.
“A escola, embora pertença formalmente ao município, representa um espaço fundamental da memória coletiva da nossa comunidade”, defendeu, sustentando que a população de Atiães não aceitará que a situação se prolongue indefinidamente.
Na resposta, a presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, esclareceu que o processo se encontra atualmente sob análise da divisão jurídica do município.
“A escola está com a divisão jurídica. Após a entrega, será discutido o seu futuro. É do município e vai manter-se no município”, declarou a autarca, afastando, para já, qualquer perspetiva de transferência da propriedade para a junta de freguesia.
A resposta não satisfez Samuel Estrada, que voltou à carga no período de intervenção seguinte, classificando a explicação como insuficiente.
“Vir aqui dizer que está com o gabinete jurídico é uma canção de embalar. Não vou estar aqui quatro anos a ser embalado”, afirmou.
O presidente da Junta de Atiães recordou ainda que o imóvel esteve cerca de duas décadas cedido a uma entidade privada e defendeu que a escola possui uma forte ligação histórica à comunidade local.
“É municipal e é de Atiães, construída com beneméritos de Atiães e com os braços da gente de Atiães”, declarou, acusando o município de não ter valorizado devidamente o património da freguesia.
Desta vez, a intervenção do autarca não mereceu nova resposta por parte do executivo municipal, permanecendo em aberto o desfecho de um processo que continua a alimentar o debate político em Atiães e no concelho de Vila Verde.



