A União dos Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL) denunciou a ocorrência de mais um alegado ataque de lobo ibérico no concelho de Terras de Bouro, que resultou na morte de um exemplar da raça autóctone Garrana na freguesia de Cibões.
De acordo com a associação, o ataque ocorreu no passado dia 21 de junho e provocou prejuízos ao produtor afetado, constituindo mais um episódio numa série de ocorrências que têm vindo a ser registadas em diversas zonas do Norte de Portugal.
A UPGALL considera que a frequência destes ataques está a aumentar a pressão sobre os criadores e a comprometer a sustentabilidade de explorações agropastoris que desempenham um papel importante na economia rural e na preservação do território.
Criadores alertam para ameaça às explorações tradicionais
Em comunicado, a organização sublinha que os prejuízos não se limitam à perda direta de animais, afetando igualmente a viabilidade económica de explorações familiares e a continuidade de práticas tradicionais ligadas à pastorícia e à criação extensiva.
Os produtores recordam ainda a importância da raça Garrana, um dos símbolos do património natural e cultural das serras do Norte de Portugal, cuja preservação depende da manutenção das condições necessárias para a sua criação em meio natural.
Segundo a associação, a sucessão de ataques tem gerado crescente preocupação entre os criadores, que reclamam medidas mais eficazes de prevenção e compensação dos prejuízos sofridos.
Caso em Miranda do Douro expõe dificuldades na comprovação dos ataques
A UPGALL divulgou igualmente um outro ataque ocorrido no mesmo dia, na freguesia de Malhadas e Genísio, em Miranda do Douro, do qual resultaram a morte de seis ovinos e dois cordeiros, além de ferimentos em três animais adultos.
Segundo a organização, a rápida ação de aves necrófagas, nomeadamente abutres, consumiu grande parte das carcaças num curto espaço de tempo, dificultando a preservação das provas necessárias para a identificação do predador responsável.
A associação refere ainda que, perante a ausência imediata de equipas técnicas no local, o produtor viu-se obrigado a permanecer durante várias horas junto dos animais mortos para evitar o desaparecimento total dos vestígios necessários à realização da vistoria.
Associação pede reforço dos mecanismos de apoio
Perante a repetição de situações semelhantes, a UPGALL volta a defender a necessidade de agilizar os processos de verificação dos ataques e de reforçar os mecanismos de apoio aos produtores afetados.
A associação alerta que a demora na validação dos prejuízos pode comprometer o acesso às indemnizações previstas, agravando as dificuldades enfrentadas pelos criadores e contribuindo para o abandono gradual da atividade pecuária em zonas de montanha.
Para os produtores, a proteção da atividade agropastoril, das raças autóctones e da paisagem rural exige uma resposta mais célere e eficaz das entidades competentes, numa altura em que os ataques atribuídos ao lobo continuam a gerar preocupação crescente em várias regiões do país.



