Três homens suspeitos de sequestrar e assaltar o pároco de Maceira da Maia e Retorta, em Vila do Conde, foram detidos pela GNR e vão ser presentes, esta terça-feira, ao Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos para primeiro interrogatório judicial. Entre os detidos encontra-se Paulo Carneiro, conhecido por Paulo “Polaco”, que já cumpriu várias penas de prisão por crimes de roubo e furto.
O caso remonta à madrugada de 22 de abril, quando os suspeitos terão invadido a residência paroquial de André Pereira, protagonizando momentos de grande tensão e violência psicológica. Segundo a investigação, os assaltantes chegaram cerca das 02h30 e arrombaram uma janela da cozinha para entrar na habitação.
Ao aperceber-se da intrusão, o sacerdote refugiou-se no quarto e tentou contactar o presidente da junta local para pedir ajuda. Contudo, dois dos suspeitos arrombaram a porta do quarto, imobilizaram-no sobre a cama e começaram a exigir informações sobre o local onde guardava o dinheiro das oferendas dos fiéis.
Perante as sucessivas negativas da vítima, os assaltantes intensificaram as ameaças. Depois de revistarem vários compartimentos da casa e de encontrarem uma mochila com 7.250 euros em numerário e artigos em ouro avaliados em cerca de 1.250 euros, continuaram convencidos de que existiria mais dinheiro escondido.
Os suspeitos conduziram então o padre para a garagem e, posteriormente, de volta ao quarto, numa tentativa de localizar um alegado cofre. Como não encontraram qualquer compartimento secreto e o sacerdote insistia que não possuía cofre, um dos homens dirigiu-se à cozinha para buscar uma faca.
Munido da arma branca, o suspeito ameaçou cortar os dedos ao pároco caso este não revelasse a localização do suposto cofre. A ameaça, feita enquanto a vítima permanecia manietada, procurava forçá-la a indicar um esconderijo que, segundo o sacerdote, simplesmente não existia.
Percebendo que não conseguiriam obter mais dinheiro, os assaltantes abandonaram o local, deixando o padre amarrado. Além dos artigos em ouro, levaram os 7.250 euros que a vítima guardava na residência.
A investigação desenvolvida pela GNR ao longo dos últimos dois meses permitiu identificar os alegados autores e reunir prova considerada suficiente para a emissão dos mandados de detenção. As detenções ocorreram na segunda-feira, em Gaia, Gondomar e Maia, tendo ainda sido realizadas buscas domiciliárias, das quais resultou a apreensão de elementos relevantes para o processo.
Os três suspeitos aguardam agora a aplicação das medidas de coação que vierem a ser determinadas pelo tribunal.



