A tradição dos “atrancos” voltou a cumprir-se na noite de São João em Portela das Cabras, no concelho de Vila Verde, mantendo viva uma das mais curiosas e antigas manifestações das festividades populares da região.
Como acontece há várias gerações, alguns moradores acordaram na manhã de 24 de junho sem os vasos e outros objetos decorativos que tinham deixado à porta das suas habitações. Durante a noite, estes elementos foram recolhidos e transportados para locais de destaque da aldeia, onde permaneceram expostos até serem identificados e devolvidos aos respetivos proprietários.
A prática, encarada pela população como uma brincadeira tradicional associada às celebrações sanjoaninas, continua a ser vivida com espírito de boa disposição e respeito mútuo. O objetivo não passa por causar danos ou prejuízos, mas sim por preservar um costume que promove o convívio e a participação da comunidade na festa.
Os chamados “atrancos” constituem uma tradição profundamente enraizada na cultura popular local e que, ao longo dos anos, tem sido transmitida entre gerações. Embora atualmente a iniciativa incida sobretudo sobre vasos, floreiras e outros elementos decorativos colocados no exterior das habitações, em tempos passados assumia uma dimensão mais ampla.
Segundo os habitantes mais antigos da aldeia, era comum serem deslocados carros de bois, alfaias agrícolas e diversos objetos utilizados no quotidiano das famílias, que surgiam no dia seguinte em locais inesperados, despertando a curiosidade e a diversão de toda a população.
Apesar da evolução dos tempos, a essência da tradição mantém-se intacta. Os “atrancos” continuam a representar um momento de união e partilha, contribuindo para reforçar os laços comunitários e a ligação dos habitantes às suas raízes culturais.
Num contexto em que muitos costumes populares enfrentam o risco de desaparecer, Portela das Cabras continua a preservar esta prática singular, fazendo dos “atrancos” uma das marcas identitárias das celebrações de São João e um exemplo da vitalidade das tradições locais.
Entre sorrisos, histórias e reencontros, a manhã de São João voltou a demonstrar que a memória coletiva e o património imaterial da aldeia permanecem bem vivos, garantindo a continuidade de uma tradição que faz parte da identidade da comunidade.



