Portugal entra esta quarta-feira na fase mais exigente da época de incêndios rurais, com a ativação do Nível Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), que vigorará até 30 de setembro. Durante os próximos três meses, o dispositivo nacional funcionará com a sua capacidade máxima de resposta, mobilizando mais de 15 mil operacionais, 3.463 veículos e 81 meios aéreos.
A entrada em vigor do Nível Delta coincide com o período de maior risco de incêndio rural, caracterizado pelas temperaturas mais elevadas, baixos níveis de humidade e maior pressão sobre o território florestal. O objetivo é assegurar uma resposta mais rápida e eficaz às ocorrências, reforçando a capacidade de ataque inicial e o pré-posicionamento de meios nas zonas consideradas mais vulneráveis.
Segundo os dados divulgados pelo Governo, o DECIR 2026 integra, nesta fase, 15.149 operacionais, distribuídos por 2.596 equipas constituídas nos corpos de bombeiros, apoiadas por 3.463 veículos e 81 meios aéreos.
O dispositivo reúne recursos de diversas entidades, incluindo os bombeiros voluntários, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a Guarda Nacional Republicana, as Forças Armadas, a Força Aérea Portuguesa, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Afocelca e outras organizações que integram o sistema nacional de proteção e socorro.
O reforço do Nível Delta representa o ponto mais elevado da resposta operacional prevista para este ano, depois das fases anteriores de incremento gradual dos meios. A estratégia continua centrada na rapidez da primeira intervenção, considerada determinante para impedir que pequenos focos de incêndio evoluam para ocorrências de grande dimensão.
As Equipas de Intervenção Permanente (EIP) registam também um reforço em 2026. O dispositivo passa a contar com 770 equipas, num total de 3.864 bombeiros profissionais e 770 veículos. Estas equipas são financiadas através de uma parceria entre a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e os municípios, garantindo uma capacidade permanente de resposta ao longo de todo o ano.
Face ao dispositivo de 2025, o Governo destaca um aumento do número de operacionais, veículos, equipas e meios aéreos, bem como um investimento acrescido na qualificação dos recursos humanos. O plano contempla reforço da formação especializada, da gestão de operações, da coordenação no terreno e das operações aéreas, procurando aumentar a eficácia da resposta em cenários de elevada complexidade.
As autoridades sublinham, contudo, que a capacidade operacional deve ser acompanhada por um forte compromisso com a prevenção. A limpeza de terrenos, o cumprimento das restrições ao uso do fogo e a adoção de comportamentos responsáveis continuam a ser considerados fatores decisivos para reduzir o número de ignições durante os meses de maior perigo.
A diretiva operacional do DECIR prevê ainda que os meios possam ser ajustados em função da evolução das condições meteorológicas e do nível de risco de incêndio rural, permitindo reforçar ou redistribuir recursos sempre que a situação o justifique.
Com a entrada em vigor do Nível Delta, Portugal inicia o período de maior vigilância e prontidão operacional no combate aos incêndios rurais, mobilizando o maior dispositivo do ano para proteger pessoas, bens e património florestal durante a época de maior risco.



