A Direção da Organização Regional de Braga (DOR Braga) do PCP desafiou o Governo a que a reunião do Conselho de Ministros marcada para Guimarães não se limite a uma “ação de propaganda”, exigindo decisões concretas para responder aos problemas do distrito.
Em conferência de imprensa realizada esta manhã junto ao Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, o PCP criticou a realização da reunião governamental no concelho, associando-a a uma iniciativa simbólica ligada às comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, e defendendo que a deslocação do Executivo deve traduzir-se em medidas com impacto real na vida das populações.
Segundo a estrutura regional do PCP, o atual contexto económico e social é marcado pelo agravamento do custo de vida, pela degradação dos serviços públicos e por dificuldades no acesso à habitação, transportes e saúde, apontando responsabilidades às opções políticas do Governo e das forças que o têm apoiado.
Entre as principais reivindicações apresentadas, o PCP destacou a necessidade de medidas de valorização salarial e de defesa dos direitos dos trabalhadores, particularmente nos setores têxtil, vestuário e calçado, onde aponta a existência de baixos salários e situações de precariedade.
A DOR Braga deixou ainda um desafio ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, para que experimente almoçar em Guimarães com o valor médio do subsídio de refeição praticado no setor têxtil, atualmente apontado como sendo de 2,40 euros.
Na área da mobilidade, o partido defendeu a criação de um passe social intermodal e inter-regional, bem como o reforço das ligações ferroviárias entre Braga e Guimarães e a ligação Intercidades a Lisboa. No setor da saúde, o PCP reivindicou investimentos em hospitais da região, incluindo o novo Hospital de Barcelos, a melhoria do Hospital de Vila Nova de Famalicão e a rejeição da gestão privada do Hospital de Braga.
No capítulo da habitação, a estrutura regional do PCP defendeu o aumento da construção de habitação pública e a reabilitação de imóveis sob responsabilidade do Estado, nomeadamente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU).
O partido apresentou ainda propostas na área da cultura, com destaque para o financiamento do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, e no ambiente, exigindo medidas de despoluição e recuperação de rios da região, como o Ave, Selho, Vizela e Cávado.
Na intervenção, o PCP criticou ainda políticas económicas e sociais do Governo, apontando o aumento das desigualdades, a pressão sobre os serviços públicos e o que considera ser um processo de “subordinação aos interesses do grande capital”.
A conferência de imprensa contou com a participação de dirigentes regionais e nacionais do PCP, incluindo elementos da Comissão Política do Comité Central e da DOR Braga.





