O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu esta sexta-feira a existência de fortes indícios de que o incêndio que deflagrou em Vouzela possa ter tido origem criminosa, sublinhando que o combate a este fogo constitui atualmente a principal prioridade das autoridades de proteção civil.
Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de encerramento da componente teórica do 16.º Curso de Controlo de Fronteiras Aéreas da PSP, em Torres Novas, o governante afirmou que o dispositivo nacional de combate aos incêndios está concentrado na contenção das chamas que já afetam vários concelhos dos distritos de Viseu e Aveiro.
“Estamos muito concentrados neste grande incêndio que já atinge vários concelhos. O objetivo é circunscrever este grande incêndio”, afirmou.
Segundo Luís Neves, as condições meteorológicas têm dificultado o combate, devido ao vento forte e instável e aos níveis muito baixos de humidade. Ainda assim, mostrou-se confiante de que a prevista diminuição da intensidade do vento ao longo do dia possa favorecer a atuação dos operacionais.
“O país está preparado. Estamos em situação de alerta”, garantiu, acrescentando que existe uma forte articulação entre todas as entidades envolvidas no combate aos incêndios e que a estratégia tem permitido extinguir rapidamente a maioria das ocorrências registadas.
Relativamente à origem do incêndio, o ministro considerou que existem indícios consistentes de ação humana deliberada.
“Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 02h00, 03h00 da manhã. Tudo indicia que houve, de facto, um comportamento de mão humana, um comportamento criminoso”, declarou.
O incêndio teve início às 03h04 de sexta-feira, em Tourelhe, no concelho de Vouzela, tendo rapidamente alastrado à Serra do Caramulo. A progressão das chamas obrigou à evacuação de duas aldeias no concelho de Tondela e continua a mobilizar um vasto dispositivo de combate.
Ao início da tarde, encontravam-se no terreno cerca de mil operacionais, apoiados por centenas de viaturas e vários meios aéreos, numa operação considerada uma das mais complexas dos últimos dias.
Face ao agravamento do risco de incêndio rural, o Governo decretou na quinta-feira a situação de alerta para todo o território continental, medida em vigor entre sexta-feira e segunda-feira, que implica o reforço da prontidão operacional e a adoção de diversas restrições em espaços florestais, com o objetivo de reduzir o risco de novas ignições e proteger pessoas e bens.



