O incêndio florestal que deflagrou na noite de quinta-feira em Los Gallardos, na província de Almería, em Andaluzia, é já considerado um dos mais mortíferos da história recente de Espanha. De acordo com dados oficiais do Governo Regional da Andaluzia, foram confirmadas, até ao momento, 12 vítimas mortais, ultrapassando o número de mortos registado no incêndio de Riba de Saelices, na província de Guadalajara, em 2005, onde perderam a vida 11 pessoas.
A tragédia ocorreu quando várias pessoas tentavam escapar ao avanço das chamas. A maioria das vítimas são turistas estrangeiros, de nacionalidade britânica e belga. Alguns dos corpos foram encontrados carbonizados no interior de viaturas na localidade de Bédar, uma das zonas afetadas pelo incêndio.
A dimensão humana da tragédia coloca este incêndio entre os mais graves de sempre em Espanha, reavivando a memória de outras ocorrências que marcaram o país nas últimas décadas.
Um dos episódios mais trágicos teve lugar a 16 de julho de 2005, quando um incêndio de grandes proporções deflagrou em Riba de Saelices, na província de Guadalajara. No dia seguinte, durante as operações de combate às chamas, morreram dois agentes ambientais e nove bombeiros, num total de 11 vítimas mortais.
Em julho de 2009, um incêndio no Parque Natural de Els Ports, na província de Tarragona, provocou a morte de cinco bombeiros. Dois anos mais tarde, em fevereiro de 2011, seis membros de uma corporação de bombeiros do Governo de Aragão perderam a vida na queda do helicóptero que os transportava para um incêndio no município de Villel.
Entre as tragédias mais marcantes figura ainda o verão de 1994, considerado o mais mortífero em matéria de incêndios florestais em Espanha. Nesse ano morreram 30 pessoas, das quais oito vítimas diretas das chamas e 22 durante operações de combate aos incêndios. Entre os episódios mais graves destacam-se o incêndio de Millares, onde morreram seis bombeiros e um voluntário, e o acidente aéreo na Serra de Mariola, em Alicante, que vitimou cinco ocupantes de um avião português mobilizado para apoiar o combate ao fogo. Em setembro desse mesmo ano, um despiste de uma viatura de bombeiros em Nonaspe, Zaragoza, provocou ainda a morte de quatro operacionais.
Outros incêndios fatais marcaram igualmente a história recente de Espanha. Em agosto de 2003, cinco elementos da mesma família, entre os quais uma criança, morreram asfixiados quando tentavam fugir de um incêndio em Sant Llorenç Savall, na província de Barcelona. Em 1999, um fogo em Alájar de la Sierra, na província de Huelva, causou quatro mortos. Já em 1993, um incêndio que devastou cerca de 800 hectares em cinco municípios da província de Tarragona provocou seis vítimas mortais. No ano anterior, cinco bombeiros especializados perderam a vida no combate ao incêndio que atingiu o Parque Natural de Grazalema, na província de Cádis.
Com 12 vítimas mortais confirmadas, o incêndio de Almería assume já um lugar entre os episódios mais trágicos da história dos incêndios florestais em Espanha, numa altura em que as autoridades prosseguem as operações de combate às chamas e de apuramento das circunstâncias da ocorrência.
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