Rui Tavares garantiu este sábado que continuará ativo no Livre após deixar o cargo de porta-voz do partido, mas defendeu que poderá ser mais útil noutras funções. O dirigente falava à chegada ao 17.º Congresso do Livre, que decorre em Sintra, no distrito de Lisboa.
O fundador do partido e porta-voz desde 2022 explicou que a sua saída da liderança formal não representa uma mudança de rumo, mas antes uma evolução natural de uma força política que, segundo afirmou, sempre valorizou o trabalho coletivo.
“O Livre está sempre a reinventar-se e a repensar-se, e isso é muito importante”, afirmou Rui Tavares, defendendo que o partido deve continuar a crescer e a procurar novas formas de contribuir para o país.
“Toda a gente pode ficar orgulhosa com o que conquistou, mas a palavra de ordem é que ninguém fique satisfeito com o que já tem. Nós queremos mais, porque queremos ajudar mais o nosso país”, declarou.
“É preciso partilhar e saber rodar as pontas de lança”
Questionado sobre o novo ciclo do partido, Rui Tavares rejeitou a ideia de uma rutura, considerando que o Livre mantém a sua tradição de equilíbrio entre liderança e construção coletiva.
“É uma questão de em conjunto trabalharmos e dentro desse conjunto escolhermos quem é que rende mais em cada lugar, quem é que pode fazer melhor”, afirmou, recorrendo à comparação desportiva de “saber quem bate melhor os penáltis em cada momento”.
O deputado destacou que Isabel Mendes Lopes continuará a ser a escolha adequada para a função de porta-voz, enquanto considera que o seu contributo poderá ser mais relevante noutras áreas.
“É Isabel Mendes Lopes que continua a melhor, porque continua como porta-voz, e eu se calhar rendo mais a fazer outras coisas”, disse.
Rui Tavares sublinhou ainda que esta mudança não significa uma nova fase para o Livre, lembrando que, durante vários anos, não integrou a direção do partido e continuou a participar ativamente no projeto.
Mandato de deputado mantém-se até ao fim
Sobre o futuro imediato, Rui Tavares confirmou que irá cumprir o mandato de deputado até ao final, considerando que essa função representa uma forma de continuar envolvido na atividade política.
“Evidentemente isso é estar ativo, e ainda mais ativo em coisas que são da minha especialidade”, afirmou, acrescentando que continuará também disponível dentro da organização do partido, em articulação com os porta-vozes e com a liderança parlamentar.
O deputado rejeitou igualmente a ideia de que o afastamento da liderança formal tenha como objetivo demonstrar que o Livre é independente da sua figura.
“Dentro do partido, isso nem sequer nunca foi uma questão, e agora também não é”, afirmou.
Rui Tavares defendeu que a liderança política não depende apenas de cargos ou títulos, podendo surgir através da capacidade de inspirar, propor ideias e mobilizar outros elementos.
“A liderança vem de quem encoraja os outros, de quem apresenta uma boa ideia que depois alguém ouve e vai implementar”, afirmou.
Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto apontados à liderança
Rui Tavares deixa este fim de semana o cargo de porta-voz do Livre, função que partilhava com Isabel Mendes Lopes.
No 17.º Congresso do partido, Isabel Mendes Lopes lidera uma das listas candidatas à direção e propõe-se assumir a função de porta-voz em conjunto com Jorge Pinto, também deputado e antigo candidato às eleições presidenciais.
O congresso deverá definir a nova composição da liderança do Livre e o caminho político do partido para os próximos anos.



