Os preços das casas em Portugal registaram uma descida de 3,4% no segundo trimestre de 2026, fixando-se num valor médio nacional de 3.544 euros por metro quadrado. Os dados constam da análise trimestral do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, que revela um mercado marcado por diferenças significativas entre regiões.
Entre os territórios analisados, Viana do Castelo destacou-se como um dos distritos com maior correção nos preços de venda, registando uma queda de 5,3% face ao trimestre anterior. A evolução contrasta com algumas regiões do interior norte e centro, onde os preços continuaram a subir, como Viseu (+8,6%), Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%).
Também o distrito de Braga acompanhou o movimento de ajustamento verificado em várias zonas do país, num contexto de maior ponderação por parte dos compradores e de maior sensibilidade à capacidade financeira das famílias. A análise do Observatório aponta para um mercado menos pressionado do que nos últimos anos, embora com diferenças relevantes entre concelhos e segmentos de habitação.
A nível nacional, a descida dos preços não afetou todos os imóveis da mesma forma. As casas de gama média e alta foram as que registaram as maiores correções: a mediana dos preços caiu de 419.900 euros para 390.000 euros, uma redução de 7,1%. Já os imóveis de valor mais elevado registaram uma descida de 7,2%, enquanto as habitações mais acessíveis tiveram uma redução mais moderada, de 3,7%.
Arrendamento também recua
No mercado de arrendamento, a tendência de descida foi ainda mais evidente. O valor médio nacional diminuiu 4,2% no segundo trimestre, passando para 15,46 euros por metro quadrado.
As maiores correções verificaram-se nos principais centros urbanos, nomeadamente Lisboa e Porto, ambos com uma descida de 4%. Viana do Castelo surge também num contexto de ajustamento do mercado regional, embora o estudo destaque sobretudo as oscilações registadas nos grandes centros e nos mercados com maior volume de oferta.
Em sentido contrário, algumas regiões do interior registaram aumentos significativos nas rendas, como a Guarda (+33%), Viseu (+11,6%) e Bragança (+7,2%). O Observatório alerta, contudo, que estes valores devem ser interpretados com prudência devido ao menor número de anúncios disponíveis nestes mercados.
Acessibilidade continua a ser um desafio
Apesar da descida dos preços, o acesso à habitação continua a representar um esforço elevado para muitas famílias portuguesas. Segundo o estudo, em junho, a prestação média estimada para a compra de um apartamento T2 representava 49% do rendimento líquido mensal de um casal com salário médio.
No caso de uma moradia T3, o esforço financeiro aumentava para 53% do rendimento disponível.
O relatório identifica ainda um aumento do número de imóveis disponíveis para venda no segundo trimestre, embora ressalve que esta evolução resulta também de uma maior abrangência das fontes de recolha de dados utilizadas pelo Observatório.
Os indicadores relativos à dinâmica do mercado mostram uma ligeira desaceleração: a taxa de absorção dos imóveis — percentagem de casas anunciadas que resultam em negócio no mesmo período — passou de 1,6% para 1,5%. As moradias demoraram, em média, 184 dias a ser vendidas, mais 54% do que no trimestre anterior, enquanto os apartamentos registaram uma redução do tempo médio de venda para 106 dias.
A análise do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças conclui que o mercado habitacional entrou numa fase de maior equilíbrio, depois de vários anos de forte pressão sobre os preços. A evolução dos próximos meses deverá continuar marcada pelas diferenças regionais, pela capacidade financeira das famílias e pela relação entre preço, localização e procura.



